Tecnologia Ambiental

11 de maio de 2002

Ambiente: Petrobrás descontamina vazamento com micróbios

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    O segundo maior derramamento de petróleo do País, ocorrido na Repar em 2000, está na fase final de remediação utilizando bactérias e fungos como despoluidores

    Química e Derivados: Ambiente: Desvio no arroio da mata contaminada permitiu biorremediação.

    Desvio no arroio da mata contaminada permitiu biorremediação.

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    omo ocorre no meio científico, no qual muitos desenvolvimentos tecnológicos nascem de modo aleatório, um acidente industrial de grande repercussão no País possibilitou nos últimos anos a criação de uma tecnologia de biorremediação de solos genuinamente brasileira. Para combater o vazamento de 4 milhões de litros de petróleo na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária-PR, ocorrido em 16 de julho de 2000, a Petrobrás conseguiu criar uma técnica própria de descontaminação de hidrocarbonetos baseada na fomentação de microrganismos degradadores presentes no próprio solo.

    O projeto biorremediador, na verdade, é um dos polimentos finais da remediação em curso e visa remover “apenas” 96 mil litros de petróleo retidos no solo de uma área de 15 hectares, entre o local do vazamento e o Rio Barigüi, afluente do Iguaçu.

    O grosso do derramamento, considerado o maior ocorrido em rio no Brasil, foi removido fisicamente em três meses. Para começar, dos 4 milhões de litros, cerca de 20% (570 mil) evaporou nos primeiros dias. Nos três meses seguintes, por volta de 1,3 milhão de litros foi retirado dos rios Barigüi e Iguaçu, e em suas margens, ao longo de 65 km, com mantas absorventes e barreiras flutuantes para conter o avanço da mancha.

    Dos 2,7 milhões retidos na área interna da Petrobrás, a maior parte foi recuperada de imediato por bombas a vácuo e manualmente por uma equipe de 2.700 pessoas. Restaram 132 mil litros de petróleo no solo, dos quais quase todos os 36 mil em fase livre foram removidos pelo lençol freático superior (a menos de 1 metro da superfície) por meio de um sistema de canalização que arrasta o óleo do fluxo subterrâneo para separadores. Portanto, apenas os 96 mil litros restantes desse óleo, agregados no solo da floresta nativa local, inspiraram o emprego da biorremediação.

    Química e Derivados: Ambiente: Fonte - Petrobrás.Acaso premeditado – O acaso no desenvolvimento da biorremediação, porém, tem a ver apenas com a forma pela qual a estatal do petróleo resolveu dominar a tecnologia, ou seja, para sanear o grave acidente que atingiu o Rio Iguaçu. Isso porque, antes de iniciar o processo microbiológico em várias áreas contaminadas pelo vazamento, a empresa já operava com a biorremediação para tratar parte dos resíduos oleosos gerados pela estação de tratamento de efluentes da refinaria. Em conjunto a uma área imensa de landfarming, desde meados da década de 90 a Repar mantém seis terrenos monitorados para as colônias de fungos e bactérias acelerarem a degradação dos resíduos.

    Química e Derivados: Ambiente: ambiente_2.A diferenciação entre o landfarming e a biorremediação é importante para compreender o processo hoje utilizado em Araucária. A primeira técnica, muito comum em refinarias, objetiva apenas dispor o resíduo em terrenos, condenando o local a uma quarentena de pelo menos 120 anos, mas sob controle rígido do teor de metais pesados de modo a evitar a contaminação do lençol freático. Já a biorremediação, de acordo com as legislações ambientais mais avançadas, como a da Holanda, só é reconhecida como tal se recuperar o solo integralmente e para o padrão agrícola de fertilidade. Foi seguindo esta definição que a Repar iniciou seu projeto complementar de tratamento de resíduos e que depois foi transportado para o combate das seqüelas do vazamento.

    Essa experiência anterior ao acidente fez os técnicos de meio ambiente da Petrobrás, e uma empresa de consultoria canadense (Hidrogéo) contratada para coordenar a remediação, resolverem testar a viabilidade da biorremediação. “Para avaliar a biodegradabilidade do óleo derramado no solo, fizemos ensaios de laboratório para descobrir a toxicidade, o teor de metal pesado e de respiração do solo (a ação dos microrganismos), entre outras análises, e assim poder definir uma dosagem adequada de fungos e bactérias”, explica o coordenador de meio ambiente da estatal, Ernani Zamberlan.

    Ultra-rápido – Os testes revelaram que a baixa toxicidade e o pequeno percentual de metal pesado do óleo leve derramado (tipo colombiano) influíram pouco na atividade microbiana do terreno afetado, estimulando ainda mais a biorremediação. A primeira medida, então, foi utilizar uma das áreas contaminadas como palco de experiência piloto. A escolha, em outubro de 2000, recaiu sobre o terreno de 700 metros quadrados situado ao lado da tubulação onde ocorreu o vazamento, denominado de sub-área 1.

    Esse terreno foi considerado de média contaminação, por ter na época nível de TPH (total de hidrocarbonetos de petróleo) entre 10.000 e 30.000 microgramas (µg) por grama de solo. Após 70 dias de inoculação com os microrganismos, o local mostrou-se satisfatoriamente recuperado, com uma expectativa de aceleração da biodegradação do óleo de 272%, ou seja, quase dez vezes mais rápida do que a remediação natural do solo. Nesse período de teste, o índice de TPH da sub-área 1 caiu para 3.723 µg/g de solo, inferior ao considerado pela norma holandesa (Dutch Reference Framework STI – Values) como medida de solo contaminado e passível de intervenção. O limite batavo é de 5 mil µg/g de solo.

    “Essa constatação viabilizou a biorremediação por todas as áreas com contaminação alta e média”, lembra o coordenador da remediação do vazamento, Fernando Henrique Falkiewicz. Da área total contaminada de 129.450 metros quadrados, 58 mil m² foram classificadas como de contaminação alta (TPH acima de 30 mil µg/g) e 70.050 m² como média contaminação (entre 10 mil e 30 mil µg/g).


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