Tecnologia Ambiental

14 de outubro de 2002

Ambiente: Peróxido de hidrogênio descontamina solos

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    ma ação conjunta entre universidade e iniciativa privada criou uma nova alternativa para a remediação de solos contaminados no Brasil. A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Degussa estão envolvidas no desenvolvimento de um processo oxidativo avançado (POA) com peróxido de hidrogênio que promete eliminar quaisquer resquícios de hidrocarbonetos ou até dos perigosos contaminantes POPs (poluentes orgânicos persistentes). Incluem-se nesta classificação de poluentes desde pesticidas organoclorados, os famosos drins, até os solventes clorados, como os percloroetilenos, tricloroetileno, fenóis, entre outros.

    Química e Derivados: Ambiente: Jardim - Unicamp dá apoio técnico ao projeto.

    Jardim – Unicamp dá apoio técnico ao projeto.

    A grande vantagem do processo é a possibilidade de ser aplicado in-situ, sem necessidade de escavação, através da injeção por bombas em poços previamente estudados e depois da remoção de fase livre dos contaminantes. Para essa parte operacional da remediação, aliás, entrou no projeto um terceiro parceiro: a ENSR International do Brasil, do Rio de Janeiro, especializada em engenharia ambiental. A Degussa, logicamente, se responsabiliza pelo peróxido de hidrogênio e o know-how de suas afiliadas estrangeiras na mesma tecnologia, e a Unicamp, com a parte de pesquisa científica e laboratorial, sob comando do departamento de química analítica do Instituto de Química. Aliás, a Degussa financiará a construção de novo laboratório para a Unicamp desempenhar seu papel no negócio.

    “Entre os outros vários processos oxidativos avançados, o peróxido cumpre papel importante”, afirmou o coordenador da pesquisa pelo lado da Unicamp, o professor titular do Instituto de Química, Wilson Figueiredo Jardim. Isso porque existem outros produtos utilizados com o mesmo propósito de oxi-rredução, como o permanganato de potássio, o ferro-oxilalato, dióxido de cloro, ozônio, entre outros.

    Aliás, esse conhecimento das várias tecnologias de POAs, conseguido ao longo dos últimos 15 anos pelo laboratório de química analítica (LQA) da Unicamp, tornou-se peça fundamental para melhorar o processo oferecido comercialmente pela Degussa e pela ENSR. O peróxido de hidrogênio não é aplicado sozinho nas remediações.

    Química e Derivados: Ambiente: Schaalmann - mais de 3 mil sitios contaminados.

    Schaalmann – mais de 3 mil sitios contaminados.

    A aplicação básica se funda na chamada reação Fenton, com peróxido de hidrogênio como agente oxidante e sulfato de ferroso como catalisador, em meio ácido. A ação de descontaminação do peróxido de hidrogênio, assim como dos outros POAs, se deve à geração de radicais de hidroxila (OH-), com alto poder oxidante que promove a degradação de vários compostos poluentes. No caso do peróxido de hidrogênio cada molécula, ao se decompor, gera dois radicais OH-. Para reforçar o processo, a pesquisa da Unicamp também sugere a reação fotoFenton, no qual os POAs também consideram os raios ultravioleta do sol para ativar o processo oxidativo avançado.

    Por enquanto, cerca de 60% dos serviços prestados por meio da cooperação entre as três entidades se concentram em contaminações por vazamentos de combustível em postos de gasolina e bases de abastecimento. Mas, segundo o diretor-adjunto da Degussa, Marcelo Schaalmann, a idéia é expandir o serviço para a indústria, afinal de contas estima-se em mais de 3 mil sitíos contaminados apenas no estado de São Paulo.

    “Aproximadamente 50% das indústrias têm algum problema em seus terrenos, isso sem falar nos terrenos abandonados que algum dia o Estado deve procurar uma solução”, diz o diretor. Neste último caso, Schaalmann se refere às indústrias que já fecharam, deixando o passivo ambiental para trás.

    Química e Derivados: Ambiente: Jader - primeiros clientes são postos de gasolina.

    Jader – primeiros clientes são postos de gasolina.

    A forma de atuação até agora engloba, em um primeiro momento, a participação da Unicamp. Em seu laboratório a universidade faz a proposta de técnica a ser usada, depois de realizar ensaios como o de permeabilidade e tipo de solo, para assim indicar a dosagem e a formulação do produto. Haverá a possibilidade até de o mais indicado não ser o peróxido de hidrogênio. Mas, de forma geral, o produto se mostra bastante versátil, servindo tanto para contaminantes mais solúveis, como os clorados, como para os menos solúveis, como os hidrocarbonetos. Para estes, até agora os mais combatidos nos postos de gasolina, tem-se a vantagem de poder administrar a aplicação mais facilmente, segundo explicou o responsável por novas aplicações da Degussa, Jader Vieira Leite. “As plumas de gasolina dos vazamentos ficam confinadas no solo”, diz.

    Há casos em que o melhor a fazer é remover o solo para lavagem com o peróxido de hidrogênio. Conforme diz o professor Jardim, seria um exemplo uma contaminação por fenol em solo argiloso, muito pouco permeável, o que dificulta a dosagem no solo. Aí a solução seria lavar o solo em betoneiras, instaladas no próprio local da contaminação, e devolvê-lo após a reação imediata. A ressalva, porém, é que apesar de não deixar subproduto, o peróxido de hidrogênio esteriliza o solo, já que sua oxidação não é seletiva. Mas melhor estéril do que poluído.



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