Tecnologia Ambiental

15 de março de 2009

Ambiente – Indústria têxtil europeia adere à ecomoda

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Publicado por: Anelise Sanchez, de Milão
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     cada temporada, a expectativa do mundo da moda é surpreender durante os principais eventos do setor. No entanto, enquanto nas passarelas os nomes mais destacados da alta costura disputam a atenção da grande imprensa e os holofotes da fama, nos bastidores do cenário fashion uma revolução silenciosa e menos divulgada também começa a conquistar o seu próprio espaço. Trata-se da chamada ecomoda, uma ideia incorporada por alguns nomes da indústria têxtil europeia que sugere coleções totalmente produzidas sem química.

    No Velho Continente, instituições comunitárias, associações ambientalistas e estilistas redobram a atenção dedicada ao uso de produtos químicos em tecidos e peças de roupa.

    Em países como Alemanha, Espanha e Itália, por exemplo, o número de iniciativas a favor de tecidos naturais cresce significativamente e o tema é um dos mais discutidos entre os representantes do ramo. O interesse pelo assunto é tanto que na Biofach – evento realizado em Nuremberg, entre 19 e 22 de fevereiro de 2009 – um pavilhão inteiro foi dedicado à moda ecológica, reunindo nomes como Natural Fashion, Disana e Organics Brasil.

    Na Europa, os principais apelos contra o emprego de produtos químicos em peças de roupa são promovidos pelos ambientalistas do Greenpeace. Em Madri, a associação organiza o desfile chamado “Moda sin tóxicos”; um projeto que conta com a participação de renomados estilistas espanhóis como Ágatha Ruíz de la Prada, Antonio Pernas, Carlos Díez, e as marcas Jocomomola, Mango e Txell Miras, entre outros. Não se trata de trabalhar exclusivamente com o linho ou a seda, mas evitar o tratamento dos tecidos com substâncias prejudiciais à saúde.

    A direção do Greenpeace relembra que, nos últimos sessenta anos, a indústria química produziu mais de cem mil moléculas novas, mas que muitas delas são tóxicas. É o caso, por exemplo, do cromo utilizado para tratar o couro, dos pigmentos de chumbo e níquel empregados no tingimento de tecidos e dos ftalatos, uma série de substâncias comumente usadas na confecção de botões e também no amaciamento de tecidos. “Os ftalatos causam problemas no sistema reprodutivo e comprometem o desenvolvimento dos testículos de crianças”, alerta Yannick Vicaire, idealizador do desfile. “O nosso objetivo é demonstrar que é possível produzir produtos de largo consumo respeitando as mais rigorosas normas de saúde, além de diminuir o fenômeno de doenças crônicas”, completa.

    Legislação europeia – O maior problema é que, frequentemente, a etiqueta dos tecidos comprados pelos estilistas não contém uma descrição detalhada de todos os seus componentes. Assim, não é raro que tecidos aparentemente naturais como o algodão ou o linho apresentem, por exemplo, vestígios de formalina, elemento declarado cancerógeno pelo International Agency for Research on Cancer (IARC).

    Para tentar contrastar este fenômeno e incentivar as indústrias a redobrar a atenção com os itens presentes em seus próprios produtos, a Europa adotou um novo quadro normativo em matéria de registro, avaliação e autorização de produtos químicos. A legislação comunitária chamada Reach (Registration, Evaluation, Authorization and Restriction of Chemicals) substitui aquela originada há cerca de 40 anos e introduz algumas novidades. No segundo semestre de 2008, as empresas que exportam produtos para o Velho Continente foram obrigadas a realizar, na agência europeia competente, em Helsinki, um pré-registro dos componentes contidos em seus produtos. A partir deste ano, no entanto, passaram a ser exigidos o registro e a análise dos itens que deverão ser submetidos a rigorosos testes de riscos à saúde e ao meio ambiente.

    Especialistas do setor estimam que os custos para a adaptação às exigências da nova normativa corresponderão a 0,05% do faturamento anual das empresas, o que garantirá ao sistema sanitário europeu uma economia de cerca de 50 bilhões de euros em trinta anos. “Esse é o modo correto para demonstrar que é possível continuar produzindo e utilizando substâncias alternativas e não acredito que o Reach destrói a competitividade das indústrias europeias, mas, ao contrário, impulsiona a pesquisa no continente”, comentou a deputada europeia Monica Frassoni, em um desfile de moda sem produtos químicos organizado no Parlamento europeu.

    Apesar de inicialmente bem recebido, nos últimos meses o Reach tem sido alvo de duras críticas por parte de associações ambientalistas. Isso porque as informações fornecidas à agência competente variam de acordo com a quantidade produzida ou importada. O vértice do World Wide Fund for Nature (WWF), por exemplo, acredita que 60% das substâncias químicas contempladas no Reach são produzidas em quantidades inferiores a dez toneladas e, portanto, poderão circular com facilidade pela Europa.

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    100% biológico – O impacto da nova normativa também é evidente no mundo fashion. Uma prova concreta de que a ecomoda não é um fenômeno passageiro está no crescimento da demanda europeia de algodão biológico, cultivado sem pesticidas ou produtos químicos. Segundo os dados divulgados pelo Organic Exchange, o número de marcas que oferecem aos consumidores produtos confeccionados com algodão quadruplicou nos últimos anos e o faturamento previsto para este mercado em 2008 foi estimado em 2,6 bilhões de dólares.

    Enquanto os maiores fornecedores de algodão biológico se encontram em países como Índia, Turquia, Tailândia e Estados Unidos, a Europa lidera o ranking mundial dos distribuidores de roupas e acessórios 100% naturais, com 76% do mercado, seguida pelos Estados Unidos e pelo Canadá.


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