Tecnologia Ambiental

17 de outubro de 2011

Ambiente – Cetrel cria empresa para recuperar resíduos industriais

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Publicado por: Jose Valverde
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    xtrair de efluentes e resíduos industriais os metais valiosos e compostos, sintéticos e naturais, com potencial de se transformar em matérias-primas diversas é o core business do recentemente inaugurado Centro de Inovação e Tecnologia Ambiental (Cita), instituição anexa à Cetrel S.A., a empresa de soluções ambientais controlada pela Braskem (53%), com participação do estado da Bahia (23%).

    A pretensão do Cita, onde foram investidos R$ 15 milhões, passa pelo desenvolvimento e registro de patentes em atendimento à onda inovadora de reciclar integralmente os resíduos e transformá-los em riqueza em vez de descartá-los, mesmo parcialmente, por meio das chamadas soluções “fim de tubo”.

    O líder de Pesquisa e Desenvolvimento de Inovação da Cetrel, Alexandre Machado, ressalta a determinação de se antecipar à tendência global de valorização dos resíduos: “Pensamos no resíduo como matéria-prima, fonte de muita riqueza.” Ele apresenta a “filosofia” dessa estratégia: fechar o ciclo de recuperação de metais e substâncias compostas sem gerar qualquer resíduo. Sete a dez por cento da receita da Cetrel deve ser investida em pesquisa e desenvolvimento.

    Como exemplo de metais com grande potencial de recuperação no Polo Industrial de Camaçari, o ambiente da Cetrel/Cita, o líder de pesquisa aponta o enxofre e o mercúrio. Dentre os compostos com potencial de retorno à cadeia produtiva, ele enumera os termoplásticos descartados na própria indústria ou usados, principalmente polietilenos (PE), polipropilenos (PP) e policloreto de vinila (PVC), restos de celulose e outras fibras naturais, além de resíduos particulados, ricos em carbonato e sílica, que podem entrar na formulação de compósitos.

    O Cita desenvolve também um projeto para produzir material de pavimentação, à base de um diversificado conjunto de matérias-primas potenciais: cinzas e escórias procedentes da indústria siderúrgica e metalúrgica, solos contaminados por resíduos do tipo classe dois, incluindo borras oleosas e outros sistemas orgânicos.

    Alexandre Machado lista os equipamentos já instalados no Cita: difratômetro de raios X, para análise mineralógica de materiais; fluorescência de raios X; termobalança, para análises termogravimétricas TG/DSC/DTA; equipamentos diversos “para caracterização e desenvolvimento de cimentos e misturas asfálticas; para o desenvolvimento de compósitos poliméricos; e para o desenvolvimento e caracterização de materiais para a indústria metal-mecânica”.

    Metais – O enxofre, disponível na Cetrel em resíduos sólidos, depositados em um dos aterros, ou nos efluentes líquidos, necessariamente deve ser recuperado sem produzir emissão atmosférica e demandar energia elétrica. Para tanto, o processo escolhido é a hidrometalurgia, já prestes a ser instalada no Cita, em escala piloto, com previsão de partida para 2012. Machado resume: “O enxofre é solubilizado em um tanque com solvente, passa pela filtragem, é aquecido à baixa temperatura, volatizado, em seguida chega ao condensador, onde então é precipitado.”

    Para aproveitar outras fontes de enxofre, das emissões atmosféricas, o projeto prevê o abatimento das partículas presentes, usando membranas de adsorção colocadas nas fontes pontuais, e posterior recuperação pela hidrometalurgia. Uma das indústrias mapeadas já dispõe de sistema de abatimento próprio, mas ainda deixa escapar 90 t/mês de enxofre. “O excesso desse elemento na atmosfera pode causar chuva ácida”, pondera.

    As fontes de enxofre de grande parcela das mais de cem empresas do Polo de Camaçari são consideradas suficientes para viabilizar o projeto. A intenção é que, recuperado, esse enxofre chegue ao mercado com grau de pureza correspondente a até cinco vezes ao do usualmente encontrado. “Quando nosso sistema de abatimento estiver com a tecnologia consolidada, esse potencial será ampliado”, enfatiza.

    Quanto ao projeto da membrana para abatimento do enxofre e demais poluentes gasosos, segundo Machado, baseado em uma solução “muito simples”, a etapa é a de desenvolvimento e testes de laboratório. “Logo estaremos solicitando a patente”, prevê.

    O projeto de abatimento atmosférico inclui também o desenvolvimento de um filtro automotivo, com tempo de vida útil, para ser acoplado nos escapamentos de automóveis e veículos de passageiro e carga, inicialmente nos das próprias empresas de Camaçari, a fim de reter CO2 e metais pesados diversos. Os primeiros protótipos já estão sendo testados em uma bancada com forno acoplado e suprimento de gás. “É um projeto na linha do crédito carbono, já aprovado na Finep”, esclarece.


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