Revista Química e Derivados

10 de setembro de 2000

Ambiente: CETREL cria alternativa à incineração

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Publicado por: Quimica e Derivados
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    Para reduzir o custo do processamento de solos contaminados com hidrocarbonetos e outras substâncias orgânicas voláteis ou semivoláteis procedentes das áreas livres das fábricas do II Pólo Petroquímico, a Cetrel desenvolveu um método inédito de biolavagem – alternativa bem menos custosa do que o tratamento térmico praticado no incinerador de resíduos sólidos da classe 1, o mesmo previsto inicialmente para esses solos.

    Química e Derivados: Ambiente: Cerca de 9 mil t. de solos passarão pela biolavagem a um custo menor.

    Cerca de 9 mil t. de solos passarão pela biolavagem a um custo menor.

    Cerca de 9 mil toneladas de solos acumulados na Cetrel que seriam submetidos ao processamento térmico ao custo de R$ 1.500/t, desde novembro do ano passado estão sendo submetidos à biolavagem, ao custo de reduzidos R$ 280/t, assegura o coordenador da área de resíduos sólidos especiais, engenheiro José Artur Lemos Passos. Até julho, foram biolavadas pouco mais de 1.100 t, ao ritmo de 120 t/mês. A meta imediata é chegar a 150 t/mês.

    Essas 9 mil t de solos fazem parte de um total de 40 mil t de resíduos sólidos da classe 1 transferidos em 1992 das empresas do Pólo Petroquímico para estocagem provisória na Cetrel, até tratamento definitivo. A transferência resultou da chamada “faxina do Pólo”, exigência das autoridades ambientais expressa na mesma resolução que estabeleceu a necessidade de gerenciamento das águas subterrâneas.

    A disposição inadequada de resíduos diretamente no solo das indústrias estaria causando a contaminação desses solos do lençol freático por infiltração. Sem a faxina, as empresas não obteriam a licença de ampliação. Foi determinado também que as empresas não mais poderiam estocar, mesmo adequadamente, resíduos da classe 1 em suas dependências por mais de seis meses. A menos que investissem para tanto e obtivessem a licença. Quem investiu foi a Cetrel, que, entre outras providências, construiria o incinerador de sólidos ao custo de 8,5 milhões de dólares.

    Processo — Cada batelada da biolavagem é precedida da chegada de caminhões basculantes para despejar, em cinco viagens, 60 t de solos contaminados em um tanque de 12 x 12 x 2,2 m, dotado de dois conjuntos aereadores-misturadores. Na seqüência, a terraplenadora entra no tanque pela rampa para fazer o “espalhamento”. Quando a máquina sai, começa a primeira das inundações, com 150 metros cúbicos de água procedente de poços fluindo por dois pontos de alimentação.

    Concluída a inundação, os aeradores-misturadores são acionados: passam a injetar ar e a girar as pás submersas, revolvendo continuamente a mistura água-solo durante quase cinco horas. No fim desta primeira etapa, a água é canalizada para a estação central de tratamento de efluentes líquidos da Cetrel, a mesma que recebe todo o efluente líquido orgânico das empresas de Camaçari. Outras duas lavagens iguais e sucessivas são procedidas. Só então ocorre a biolavagem propriamente, feita com lodo ativado. O lodo ativado vem do tanque da estação de tratamento de efluentes líquidos, de onde chega a bordo de caminhão para permanecer biolavando cada batelada por um período de 48 a 72 horas, a depender do grau de contaminação do solo em tratamento.

    Decorrido o tempo exigido, ocorre o “polimento” – uma última lavagem com água, para diluir e escoar o lodo. A exemplo das etapas anteriores, a parte líquida, efluente da lavagem, retorna via bombeamento para o tanque da estação central.

    Drenado o efluente, uma pá carregadeira entra no tanque para transferir o solo biolavado para um pátio ao lado, onde é posto para secar antes de ser transferido para disposição final no aterro industrial. Depois de biolavado, o resíduo tem de estar classificado na classe 2, segundo NBR 10.004/87 da ABNT, ou estar adequado aos dez condicionantes para disposição em aterro industrial. Os condicionantes excluem a possibilidade de serem estocados em aterros: 1) Resíduos líquidos ou com consistência pastosa (fluida); 2) Resíduos que segregam fase líquida durante a estocagem temporária ou disposição final; 3) Resíduos pulverulentos ou que gerem emanações de substâncias voláteis ou odores fortes, a não ser quando convenientemente embalados; 4) Embalagens sob pressão ou vácuo; 5) Resíduos com mais de 10% do peso solúveis em água; 6) Resíduos reativos, inflamáveis ou radioativos; 7) Resíduos com teores de solventes orgânicos maior que 1% em peso e de solventes halogenados maior que 0,1% (1000 ppm); 8) Resíduos com teor de materia orgânica com menos de 5% devoláteis determinados por calcinação referida a peso seco e menos de 2% de material extraído por n-hexano referido a peso original; 9) Resíduos cujas concentrações de substâncias tóxicas, obtidas conforme teste de lixiviação ou equivalente, ultrapassarem os valores permitidos; 10) Resíduos que no teste de lixiviação, conforme NBR 10.005 da ABNT, de setembro de 1987, gerem chorume com parâmetros de qualidade não compatíveis com os limites para recebimento de efluentes líquidos nos sitemas da Cetrel.


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