Alimentos & Bebidas

23 de agosto de 2013

Alimentos: Uso na extração do gás de xisto provoca substituição da goma guar

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    mercado de hidrocoloides, gomas poliméricas extraídas de plantas, sementes e por biofermentação, muito empregadas na indústria de alimentos como espessantes e gelificantes, vive há pouco mais de um ano um momento inusitado. O desenvolvimento da exploração do shale gas (gás de xisto) – nova, barata e bem-sucedida empreitada norte-americana para se tornar independente de combustível e energia – provocou uma reviravolta entre produtores e consumidores de gomas.

    Mercados aparentemente dissociados, o novo uso de uma goma muito importante no espessamento de sorvetes, congelados, molhos e temperos, a goma guar, como coadjuvante na extração no processo de fracking (fraturamento hidráulico das rochas subterrâneas) para extrair o gás de xisto, causou desabastecimento na indústria de alimentos e o consequente aumento de preço do aditivo. Como a indústria de energia tem forte poder de barganha, a produção dessas gomas, extraídas das sementes da leguminosa Cyamopsis tetragonolobus, disponível na Índia e no Paquistão (onde se concentram os produtores), ficou sobrevendida para utilização na água usada para extração nos novos poços de óleo e gás nos Estados Unidos.

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    Com alta viscosidade (6.000 cps, centipoise), suas propriedades emulsionantes, espessantes e aglomerantes são ideais para essa produção, sendo um aditivo importante na água arenosa injetada sob alta pressão nas fraturas das rochas para que o xisto betuminoso poroso se quebre e permita a recuperação do gás. Essa virtude, descoberta pelos técnicos das poderosas indústrias que exploram o shale gas nos Estados Unidos, elevou em mais de dez vezes o preço da goma guar no mercado. Segundo Arnaldo Siguemoto, diretor de vendas da DuPont, uma das líderes globais em hidrocoloides e outros aditivos para alimentos, o desabastecimento elevou o preço da goma guar, fornecida pela DuPont por meio da produção de parceiros na Índia e no Paquistão, de US$ 1,50/kg para até US$ 30/kg no momento de pico da demanda.

    “O pior da crise já passou, mas mesmo assim o seu valor hoje está na faixa de US$ 12/kg, com uma oferta um pouco maior”, explicou Siguemoto. Mas o certo é que a goma guar jamais voltará a ser a mesma depois da descoberta de seu novo uso mais lucrativo para os produtores, principalmente porque a aposta no shale gas pelos Estados Unidos é política de estado, o que aumentará sua produção consideravelmente nos próximos anos e com certeza demandará muita goma guar (com risco de novos aumentos). Bom ressaltar que outras gomas, como a xantana, o CMC e a própria guar, são tradicionalmente empregadas na extração de petróleo para dar viscosidade aos fluidos de extração, mas a conclusão de que a guar é a ideal para o gás de xisto foi recente.

    Substitutas – Além da alta no preço e da falta dessa importante goma no mercado, o efeito imediato foi a busca por alternativas nas formulações de uma infinidade de produtos alimentícios industrializados. A própria DuPont, segundo revelou Siguemoto, notou a migração em várias aplicações para as gomas xantana, produzidas pela empresa em fábrica na França e para o CMC (carboximetilcelulose), produzido em unidade na China. Já as gomas com menor viscosidade, como a pectina, não aproveitaram essa onda de mercado.

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    Outras empresas especializadas também passaram pelo mesmo dilema e precisaram encontrar alternativas para os clientes. Uma das principais distribuidoras de hidrocoloides, a Vogler Ingredients, resolveu a questão com o uso de uma goma específica do Peru, a Tara, originária do endosperma da semente da árvore de mesmo nome (Caesalpinea Spinoza), similar à carob, da qual se extrai outra goma famosa, a LBG (Locust Bean Gum). Segundo a gerente de pesquisa e desenvolvimento da Vogler, Ana Lúcia Quiroga, a empresa aumentou a importação da Tara, que possui viscosidade de mesmo nível que a guar (6.000 cps) e ainda pode ser combinada com a xantana para melhorar o efeito de textura.

    A goma Tara da Vogler vem da empresa italiana Silva Team, também produtora de pectinas. A goma peruana é um polissacarídeo composto de manose e galactose que, como a guar, é solúvel a frio e proporciona viscosidade máxima em sistemas aquosos, lácteos e em sistemas de baixa solidez, em poucos minutos. Historicamente, tem preço competitivo, mas, com a alta na procura para substituir a guar, seu preço também subiu.

    Uma vantagem da Tara é seu sinergismo com outras gomas, como a xantana, carragenas e ágar-ágar. A interação com a xantana, por exemplo, permite a formação de um gel elástico, forte e termicamente reversível, quando esta goma não consegue essas propriedades de gelificação sozinha. Um blend entre tara e xantana pode substituir uma tradicional mistura feita com a LBG com vantagem: a gelificação fica até três vezes mais potente.


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      2 Comentários


      1. Walter De Haes

        Onde posso comprar sua pectina para fazer geléias. Moro em Teresópolis-RJ e o Extra tem um supermercado aqui.
        Abraço,
        Walter



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