Alimentos & Bebidas

1 de agosto de 2000

Alimentos Transgênicos – Brasileiro emite laudo

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Publicado por: Quimica e Derivados
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    O exportador brasileiro não mais precisa pagar US$ 600 no exterior por um laudo sobre a origem transgênica do produto. Agora, vem Viçosa-MG, e por metade do preço, ele consegue o certificado legal.

    Química e Derivados: Alimentos TransgênicosOs seres vivos possuem extensas moléculas de DNA (ácido desoxirribonucléico) contendo unidades de informação genética denominadas genes, os quais codificam proteínas determinando as características dos organismos. O homem vem tentando entender e manipular essas unidades, inicialmente por seleção de animais e plantas superiores para sua alimentação e, em seguida, por meio de cruzamentos orientados de forma a obter indivíduos com características desejáveis. Atualmente, é possível a transferência de genes, previamente caracterizados e geneticamente manipulados em laboratório, entre organismos de diferentes espécies, por vias não sexuais. Esta nova ferramenta da Genética permite a introdução de características desejáveis em espécies de interesse econômico, levando ao desenvolvimento de organismos geneticamente modificados (OGMs), ou transgênicos, sejam eles animais, plantas ou microrganismos.

    A obtenção de transgênicos é relativamente simples e direta, envolvendo: o isolamento do gene de interesse; a sua manipulação em laboratório para associar a ele elementos que direcionem a sua expressão; a sua transferência e incorporação no genoma (material genético) do organismo de interesse; e a seleção e regeneração do OGM obtido. O organismo transformado é, então, submetido a uma série de testes que determinam a sua viabilidade e sua capacidade de gerar descendentes férteis que possam transmitir a característica de interesse para gerações futuras.

    Com o desenvolvimento de OGMs de interesse econômico, surgiram também os “alimentos transgênicos” e com eles alguns questionamentos por parte dos consumidores: “Esses alimentos são realmente seguros? Qual é a diferença entre eles e os alimentos tradicionais? Eles foram testados suficientemente? Como eu posso distinguí-los dos alimentos tradicionais?”. De um lado as empresas responsáveis pelo desenvolvimento de tais produtos investiram tempo e recursos nessa nova tecnologia. Afirmam ter feito os testes necessários comprovando a inocuidade dos transgênicos ao homem e ao ambiente. Do outro lado, grupos contrários a essa visão, liderados principalmente por conservacionistas, afirmam que a tecnologia não é assim tão segura e os produtos dela advindos oferecem risco para a humanidade.

    O debate tem se avolumado de tal forma que diversos países, principalmente da Europa, possuem legislação específica para a produção, manipulação e comercialização dos alimentos transgênicos. Por exemplo, a Europa e o Japão exigem laudos atestando a origem (transgênica ou não) da soja e derivados por eles importados. Internamente, nesses países, a identificação de ingredientes transgênicos no rótulo de alimentos industrializados já é uma rotina. O Brasil, dentro em breve, deverá implementar normas de Rotulagem de Alimentos e Ingredientes Geneticamente Modificados. Embora haja uma resistência por parte da indústria quanto a essa nova legislação, por essa exigência ir de encontro a processos de produção já estabelecidos e cuja mudança deverá onerar o produto final, pode-se observar que, aos poucos, o setor absorve essa nova condição, não só por causa da legislação, mas também por influência do próprio consumidor. Neste contexto, é necessária a definição clara das novas regras do jogo, bem como a existência de laboratórios independentes e bem equipados para testar os produtos comercializados e atestar a sua identidade.

    Química e Derivados: Alimentos Transgênicos:  Representação gráfica da técnica de ElisaCaracterísticas de interesse e sua manipulação – Os principais genes utilizados na transformação de culturas de interesse comercial são os que determinam a tolerância a herbicidas (como o gene RR®, que condiciona tolerância ao herbicida glifosato), ou o amadurecimento retardado em frutos, bem como a tolerância a insetos-praga e a resistência a vírus. Mais recentemente, a atenção das empresas de biotecnologia converge para as características de qualidade, como a qualidade da fração óleo, da fração protéica, do teor de ferro, de vitamina A etc. Além disso, há um grande interesse na produção de fármacos a partir de plantas transgênicas, que nesse caso, seriam utilizadas como biorreatores.

    No processo de manipulação do gene a ser empregado na transformação, o segmento de DNA que codifica a proteína de interesse é “engenheirado” para poder se expressar adequadamente na planta transgênica. Para isso, ao gene são ligados segmentos de DNA que identifiquem o seu início (região promotora) e o seu término (região terminadora). Além disso, são normalmente adicionados à região promotora segmentos de DNA que promovam o endereçamento correto da proteína a ser sintetizada. Todos esses segmentos advêm normalmente de outros organismos, isto é, o cassete no qual o gene de interesse está inserido é uma verdadeira quimera. No entanto, do ponto de vista da planta transgênica, esse cassete é apenas mais uma seqüência de DNA.

    Durante o processo de transformação, para permitir a distinção entre as células vegetais transformadas daquelas que não receberam o transgene, a este é associado um gene marcador, normalmente um gene condicionador de resistência a um antibiótico. Quando este se expressa, a célula que o contém consegue sobreviver na presença do antibiótico ao qual ele confere resistência. Quando a planta transgênica é regenerada a partir da célula que contém o transgene, juntamente com o gene marcador, todas as suas células, desde a raíz até as suas folhas, irão conter esses dois genes.


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