Cosméticos

23 de outubro de 2013

Água Ultra Pura: Anvisa e receio de contaminação forçam setor cosmético a melhorar água

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    Química e Derivados, Água Ultra Pura: Anvisa e receio de contaminação forçam setor cosmético a melhorar água

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    indústria de cosméticos está cada vez mais preocupada com a água que utiliza em sua produção. Primeiro porque, tecnicamente, o fato se justifica: seus produtos têm contato direto com o ser humano e, se não são ingeridos, contaminações ou alergias podem se instalar pela pele, cabelo ou olhos e, acidentalmente, até por via oral. E, em segundo lugar, porque a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está aumentando as exigências e fiscalizações nas empresas, chegando até a autuar ou cancelar registros de produção de indústrias descuidadas com a qualidade da água.

    A agência federal tem baseado sua atuação em resolução normativa, a RDC 17, de 2010, que estende as exigências de boas práticas de fabricação de fármacos para a indústria de cosméticos, o que no caso da água significa o atendimento a padrões mais elevados, de água ultrapura. Além disso, por enquanto, a preocupação maior é para verificação da qualidade da água utilizada e não abrange o padrão de fabricação dos equipamentos, o que pode vir a ocorrer no futuro.

    Para fornecedores de sistema de produção de água ultrapura, aliás, não basta verificar se a água está dentro dos padrões aceitáveis, principalmente ao se pensar em combate à contaminação microbiológica. Isso porque as unidades empregadas na indústria farmacêutica contam com equipamentos, como tubulações, vasos e conexões, todos de aço inox 316 L, o que evita a formação de colônias de microrganismos.

    Na indústria de cosméticos, as grandes e algumas médias empresas já investem em unidades de água ultrapura que seguem os padrões farmacêuticos, sejam os da farmacopeia norte-americana (USP) ou o europeu. O desafio maior fica no grande universo formado por pequenas empresas, que ainda têm sistemas antigos e resistem a investir em unidades caras para alimentar a produção de seus xampus, cremes, condicionadores, entre vários outros produtos cosméticos que atendem a uma boa parte do consumo nacional, de forma direta ou por meio de contratos de terceirização da produção com grandes fabricantes.

    Química e Derivados, Sistema de aço inox para água purificada: sanitização a quente

    Sistema de aço inox para água purificada: sanitização a quente

    Riscos – Não ter uma unidade apropriada, de aço inox, significa que pode haver contaminações ocasionadas pelos equipamentos construídos com materiais suscetíveis, como tubulações e conexões de PVC, pontos mortos e rugosidades, que se tornam meios de culturas para microrganismos. “Você pode analisar a água de um sistema desses e não encontrar nada, mas, ao longo dos dias ininterruptos de produção, podem aparecer contaminações”, explicou o engenheiro de vendas da Veolia Water, Edson Ferreira. Não é por outro motivo que a água para fármacos, cujo rigor antimicrobiano é muito alto, obrigatoriamente precisa ser gerada por unidades de aço inox.

    Segundo revela Ferreira, tradicionalmente, a preocupação da indústria de cosméticos é a de atender ao padrão físico-químico, ou seja, apenas remover os sais da água, por osmose reversa ou colunas de troca iônica, e não ao microbiológico, que vai precisar seguir as determinações mais rigorosas das farmacopeias. Além da construção de inox, o padrão USP para ultrapure water (UPW), que condiciona a água para níveis abaixo de 10 ufc/ml (unidade formadora de colônias), requer duplo passo de osmose reversa. A mesma água, para a farmacopeia europeia, exige osmose reversa mais uma coluna de destilação.

    O outro tipo de água para a indústria farmacêutica, e que começa a ser usado pelo ramo cosmético, é o denominado PW (pure water), de exigência menor: abaixo de 100 ufc/ml. Esse padrão é atendido normalmente por duplo passo de osmose reversa ou osmose reversa com polimento em eletrodeionizador (EDI). A Veolia conta com sistemas standard para as duas demandas, em vazões de 1 m3/h a 10 m3/h. “Mas podemos fazer unidades customizadas de qualquer vazão”, disse Ferreira.

    Apesar da preocupação maior com o aspecto físico-químico, o engenheiro da Veolia ressalta que os cuidados microbiológicos devem ser vistos com mais atenção pelo setor cosmético. Principalmente porque é crescente a oferta de produtos para crianças, mais predispostas a contaminações, e também de linhas hipoalergênicas, cuja produção precisa ser mais criteriosa. Há ainda casos específicos de produtos, como os lenços umedecidos, de contato íntimo em crianças e para remoção de maquiagens em mulheres, cuja água recomendavelmente precisa ter padrão farmacêutico.


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