Tecnologia Ambiental

14 de julho de 2009

Água – Tratamento ganha reforço tecnológico para recuperar correntes e diminuir custos

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    Química e Derivados, Água

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    alar hoje em tratamento de água industrial pensando apenas em se garantir com fontes de abastecimento convencionais, captando de rios ou poços ou firmando caros contratos com companhias de saneamento, deve em breve ser considerada coisa do passado. Custos altos para tratar os mananciais poluídos, escassez e dificuldades na obtenção de outorgas para novas plantas e ampliações são fatores conhecidos e cada vez mais verdadeiros. Assim como o encarecimento das tarifas cobradas pela água tratada e pelo efluente descartado nas redes públicas.

    Nesse panorama, reusar correntes internas nas fábricas, com o emprego de tecnologias mecânicas ou químicas, ou com operações de conservação e reaproveitamento, virou palavra de ordem. Isso vale, em uma primeira fase, principalmente para as empresas mais avançadas em gerenciamento ambiental, que não vêem os investimentos, por vezes altos, como algo absurdo ou de difícil convencimento para a diretoria. Corporações que trabalham com grandes volumes de produção, e demandas de água igualmente consideráveis, facilmente encontram lógica em bancar projetos de porte. E a tendência é em um futuro próximo o conceito se espalhar por todas as cadeias produtivas, de forma gradativa e proporcional ao agravamento da disponibilidade hídrica de cada empresa.

    O exemplo mais importante da atualidade de empresa que está transformando suas estações de tratamento de água (ETAs) em unidades totalmente ligadas a circuitos de reúso é sem dúvida a Petrobras. Promovendo um plano nacional de ampliação do seu parque de refino, a estatal decidiu fundamentar o abastecimento de água das ampliações e novas refinarias com o máximo possível de correntes de reúso. Suas ETAs, algumas delas em projeto e outras já em construção, passaram a se confundir com ETEs (estações de tratamento de efluentes), tamanhas as tecnologias que passarão a reaproveitar e polir, até o ponto máximo de tratamento, ou seja, de produção de água desmineralizada, várias correntes que anteriormente eram apenas descartadas ou evaporadas nas refinarias.

    Há no momento diversas obras nas refinarias da estatal que contemplam sistemas inovadores e audaciosos de reúso de grandes correntes de água das refinarias. Os projetos têm em comum a adoção de tecnologias ainda pouco usadas no Brasil – como os MBRs (membrane bio-reactors), EDRs (eletrodiálise reversa) e sistemas de recuperação de condensado – e as complexidades das operações de engenharia que resultam em investimentos nunca inferiores a centenas de milhões de reais. Não por menos, estimativa dá conta de que, até 2014, a Petrobras planeja investir em torno de R$ 600 milhões por ano em projetos de reúso, com o propósito de economizar em uma primeira etapa por volta de 650 milhões de litros por mês de água, diminuindo consideravelmente a pressão para conseguir novas outorgas de captação nos corpos d’água brasileiros.

    Há obras em estágio avançado na Refinaria Henrique Lage (Revap), de São José dos Campos-SP, na Reduc, de Duque de Caxias-RJ, e outras recém-acordadas na Refinaria Getúlio Vargas (Repar), em Araucária-PR, e na nova refinaria Abreu e Lima, a Rnest, em Ipojuca-PE. As duas primeiras obras estão em andamento (ver QD-470, de fevereiro de 2008), sendo que a primeira contempla reúso de efluentes e de condensado para reutilização nas utilidades da refinaria e a segunda apenas envolve o tratamento de água poluída de rio, com membranas de ultrafiltração de um sistema de MBR e posterior desmineralização com colunas de troca iônica.

    Química e Derivados, Juan Carlos Natali, Diretor da Enfil, Água

    Juan Carlos Natali: petrobras prioriza o reúso em suas novas novas ETAs

    Já as duas mais recentes concorrências, na Repar e na Rnest, levam o conceito do reúso ao extremo, considerando as correntes recuperadas como prioritárias no desenho das refinarias. O primeiro caso, em uma fase de projeto já mais adiantada, envolve dois consórcios responsáveis pela execução das obras e instalação e comissionamento dos sistemas: um para a estação de tratamento de água (ETA), a cargo das empresas Veolia e Enfil, e outro para executar a construção da estação de tratamento de despejos industriais (ETDI), do consórcio GEO-Passarelli, cujo pacote tecnológico é fornecido pela Centroprojekt.

    Projeto orçado em mais de R$ 500 milhões e com contrato assinado em setembro de 2008, a ETA na Repar será a responsável especificamente pelo reúso das correntes de água da nova unidade, que será abastecida por três fontes: a água bruta da barragem do Rio Verde; o efluente tratado fornecido pela ETDI feita pela Centroprojekt; e o vapor condensado da refinaria. De acordo com o diretor da Enfil, Juan Carlos Natali, o objetivo da estatal com a nova empreitada é recuperar o máximo possível de água com o propósito principal de alimentar suas caldeiras de alta pressão.


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