Tratamento de Água

14 de outubro de 2002

Água: Produção local ganha força com alta do dólar

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    Confiança no potencial do mercado e intenção de combater os efeitos do dólar alto fazem fornecedores químicos para tratamento de água industrial investirem na produção local e em desenvolvimentos tecnológicos próprios

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    pesar da conjuntura turbulenta, com moeda desvalorizada e futuro incerto no referente à política econômica a ser adotada pelo próximo governo, as empresas de tratamento de água industrial não reclamam do desempenho do mercado brasileiro e nem se deixam abater por previsões pessimistas. A avaliação positiva não é motivo para surpresa. Mesmo sem o surgimento de novas obras em 2002, resultado da cautela justificável dos clientes, a manutenção dos sistemas de resfriamento e de condicionamento de água para caldeiras manteve ocupada a carteira de pedidos. É bom lembrar que nem em momentos de retração econômica as indústrias negligenciam o cuidado com a água, caso contrário colocam em risco suas instalações.

    A confiança dos fornecedores vai além da simples estabilidade nas vendas. Há evidências fortes de que o mercado ainda tem muito a crescer, para aproveitar não só o déficit de saneamento básico como a imaturidade tecnológica do tratamento de água e dos efluentes industriais no Brasil. Junte-se a isso a necessidade de minimizar os efeitos da desvalorização do real, em um setor dependente de importações de insumos químicos, e a verdade é que o cenário estimula até investimentos locais. E isso tanto de grandes grupos internacionais como de empresas nacionais, que aos poucos, comendo pelas beiradas e aproveitando nichos, vão conquistando espaço.

    No caso dos investimentos provenientes de multinacionais, o maior exemplo é a inauguração, em novembro, em Americana-SP, da fábrica de polímeros líquidos e em emulsão da alemã Degussa. O grupo, com a nova unidade, completa um ciclo de investimentos no mercado da água, iniciado com a incorporação da produtora de polímeros Stockhausen, empresa do grupo Huels, hoje totalmente fundido com a Degussa. A primeira fase desse ciclo, além da intensificação na venda de peróxido de hidrogênio produzido em Barra do Riacho-ES para desinfecção de água, compreendeu a atuação do escritório próprio da Stockhausen, que em quatro anos no Brasil vendeu cerca de 2.500 toneladas de polímeros em pó e líquido importados.

    Química e Derivados: Água: agua1.Construída em nove meses, no complexo da Degussa instalado em Americana, onde já são produzidos o quaternário de amônio (Quab) e catalisadores químicos, a nova fábrica é resultado do investimento de US$ 5 milhões. O montante foi empregado principalmente na aquisição de quatro reatores (mescladores, de polimerização e de polimento), todos eles produzidos no Brasil. A capacidade instalada da fábrica é para a produção de 7 mil t/ano, mas em sua primeira fase, em 2003, se limitará a 2.500 t/ano.

    Química e Derivados: Água: Klöpperpieper - meta de nacionalização.

    Klöpperpieper – meta de nacionalização.

    Mil t por ano – O plano da Degussa, segundo o diretor do negócio de water chemicals, Edgar Klöpperpieper, determina aumentar a produção em mil toneladas a cada ano. “Temos certeza de que a meta é factível”, ressalta o diretor. Além da percepção conquistada depois de permanecer no comando do escritório da Stockhausen no Brasil, a confiança do diretor se baseia em levantamento da demanda por polímeros no continente.

    No mundo, o consumo de poliacrilamidas atinge a soma de 500 mil toneladas anuais, aplicadas em águas de processo, residuais e potável, na indústria de celulose e papel e em mineração, entre outros setores. O mercado latino-americano, com destaque para o Brasil (que representa mais da metade), consome cerca de 40 mil t/ano de poliacrilamidas, sendo 10 mil só para tratamento de água. Mas o melhor é a taxa de crescimento do consumo latino-americano: de 7% a 8% ao ano.

    Com base nessas perspectivas, a Degussa preparou um portfólio de cerca de 30 produtos que inclui quatro linhas, sendo 80% deles polímeros derivados de acrílico e o restante, especialidades. A linha Praestol contempla a maior parte das demandas por poliacrilamidas floculantes para tratamento de água industrial e potável. Em dispersantes, a linha produzida será a Polystabil.

    Já os produtos especiais ficam por conta dos biodispersantes Tallofin, produzidos a partir do terpeno de casca de laranja, para controle de crescimento biológico; e o Praestaret K 300, nova geração de agentes de retenção e drenagem isentos de óleo, para papel e celulose.

    Química e Derivados: Água: Fábrica da Degussa produzirá polímeros líquidos.

    Fábrica da Degussa produzirá polímeros líquidos.

    A opção por fabricar produtos líquidos tem algumas explicações. Em primeiro lugar, diminuiu o custo do investimento da fábrica em pelo menos seis vezes. Para Klöpperpieper, caso a decisão recaísse sobre a construção de fábrica de polímero em pó, o investimento aumentaria para US$ 30 milhões. O outro motivo diz respeito à migração do uso dos polímeros granulados para os líquidos, seguindo uma tendência européia. Esse fenômeno já teria ocorrido no mercado de polímeros para processamento de papel e celulose e vai se desencadear no mercado de água. A Degussa distribuirá os polímeros em bombonas de 100 litros e contêineres de 1.000 litros, mas poderá até fornecer em tanques com capacidade superior a 10 metros cúbicos para clientes com grandes estações de tratamento.

    A nacionalização proporcionada pela nova fábrica não suspenderá as importações da Degussa. Assim, o principal insumo, o ácido acrílico, sem fabricação nacional, será importado em regime inter-company, da unidade da Degussa, em Marl, na Alemanha. Além disso, outras especialidades, entre as 40 utilizadas, serão ainda compradas no exterior. Mas o objetivo é paulatinamente substituir quase todas por similares nacionais. “Vamos aos poucos fazer testes para confirmar se os insumos nacionais podem manter a qualidade do produto importado”, afirma o diretor, ao ressaltar que os polímeros em pó da Degussa continuarão a vir da Alemanha.


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