Tecnologia Ambiental

23 de abril de 2015

Água: Indústria química faz plano de contingência e amplia reúso para superar período de seca

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Publicado por: Antonio C. Santomauro
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    Química e Derivados, Água: Indústria química faz plano de contingência e amplia reúso para superar período de seca
    Assunto obrigatório em várias regiões do país, a escassez de água obviamente preocupa à indústria química, usuária intensiva desse líquido. Preocupação, aliás, fundamentada em experiências concretas, vividas por empresas do setor: caso da Rhodia (grupo Solvay), recentemente obrigada a paralisar a produção de algumas unidades de seu site de Paulínia-SP devido à reduzida vazão do rio Atibaia, do qual se abastece. Pouco depois desse episódio, as agências reguladoras do uso da água determinaram às empresas abastecidas por esse mesmo rio a diminuição do uso desse insumo em índices variáveis entre 20% e 30% a partir de determinado patamar mínimo de vazão (do qual já não se estaria muito distante).

    Química e Derivados, Oliveira: quem elaborou plano conseguirá manter a produção

    Oliveira: quem elaborou plano conseguirá manter a produção

    A Rhodia (ver box) afirma estar preparada para essa possibilidade de menor captação. “Mas, de maneira geral, é difícil imaginar redução dessa magnitude no uso da água sem causar impacto nas atividades industriais”, observa Nelson Pereira dos Reis, presidente do Sinproquim (Sindicato das Indústrias de Produtos Químicos para Fins Industriais e da Petroquímica no Estado de São Paulo) e vice-presidente e diretor titular do departamento de meio ambiente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – Fiesp.

    Segundo ele, existem relatos de indústrias que, de outubro para cá, já paralisaram suas atividades por cerca de quarenta dias por falta de água. “Talvez não haja redução da produção industrial total, mas apenas porque o setor não está trabalhando com capacidade plena”, avalia.

    Premido por essa conjuntura e pelas preocupantes perspectivas futuras, o setor químico estruturou no final do ano passado, na Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química), um grupo de trabalho especificamente focado na antecipação e na prevenção de possíveis impactos da escassez desse recurso: denominado GT de Água, ele já reúne as empresas Dow, Braskem, Cabot, Rhodia/Solvay, Basf, Elekeiroz e Nalco (e brevemente também a Givaudan). Mas antes mesmo dessa iniciativa, motivado também pelos fatores econômicos e ambientais associados ao uso da água, já há algum tempo o setor investe para melhorar o aproveitamento do insumo, tendo obtido resultados significativos (ver Tabelas).

    Química e Derivados, Site da Rhodia/Solvay em Paulínia: seca parou parte da operação em 2014

    Site da Rhodia/Solvay em Paulínia: seca parou parte da operação em 2014

    Com esse trabalho prévio, provavelmente não haverá necessidade de paralisação ou de atenuação dos processos produtivos das empresas do setor, crê Luiz Oliveira, coordenador do GT de Água da Abiquim e gerente de saúde, segurança e meio ambiente da Dow. Ou melhor: “não deverá ocorrer paralisação ou redução do processo de produção nas indústrias que dispõem de um plano de contingência”, ressalva.

    Indispensável, esse plano de contingência destinado a antecipar e minimizar possíveis impactos de restrições maiores ao uso de água, destaca Oliveira, precisa considerar não apenas os recursos específicos da empresa – como estoques, mão de obra e fontes de abastecimento –, mas toda a cadeia de valor: fornecedores, distribuição, logística, integrando a gestão dos recursos hídricos com a gestão ambiental.

    Deve também ser formulado em parceria com agências e comitês de bacias hidrográficas, responsáveis pela administração do uso dá água nas várias regiões do país para antecipar possíveis variações nos cenários nos quais se desenvolvem as operações industriais. “Alterações nos níveis dos cursos componentes das bacias hidrográficas, por exemplo, impactam as possibilidades de captação de água e de geração de efluentes da indústria”, justifica Oliveira.


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