Tecnologia Ambiental

16 de novembro de 2009

Água – Clientes exigem resfriamento de baixo custo

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    Química e Derivados, Água, Resfriamento

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    e tradicionalmente o mercado de condicionamento químico de água para resfriamento industrial sempre foi muito competitivo, com o agravamento da crise econômica iniciada no final do ano passado a situação se intensificou. Também não era para menos, o começo de 2009 já está para ser registrado pela totalidade dos competidores da área como um dos piores da história.

    Essa é a opinião, por exemplo, de uma das principais do segmento, a Kurita, que possui grandes contas de tratamento na química e petroquímica e na siderurgia, considerados os setores com maiores necessidades de resfriamento de água. Segundo seu superintendente de operações, José Aguiar Jr., nunca antes a empresa tinha presenciado uma queda de faturamento tão grande, sem perder clientes, como o ocorrido no primeiro trimestre de 2009. “Em comparação com o mesmo período, houve retração de 8%, quando historicamente nessa fase crescemos até 10%”, afirmou.

    Também não custa lembrar que durante esses meses difíceis clientes importantes estavam sob pesada recessão. Dos 14 autofornos das siderúrgicas brasileiras, seis permaneceram parados e apenas recentemente começaram a ser religados. E também a petroquímica estava sob marcha lenta, o que ajudou a completar o quadro pouco animador.

    A partir de abril, porém, o cenário começou a dar sinais de melhoria, o que culminou de fato em junho, quando pela primeira vez no acumulado do ano houve um pequeno aumento no faturamento, de 1%, em comparação com janeiro a junho de 2008. “Isso nos faz crer que o ano não será perdido e poderegistrar um pequeno crescimento”, completou Aguiar. Boas sinalizações, para ele, nascem de contratos recentes com a Oxiteno, para quem a Kurita passará a tratar o sistema de resfriamento em Capuava-SP e em Triunfo-RS, das vitórias em concorrências na Refinaria Presidente Bernardes de Cubatão-SP (RPBC), no primeiro semestre, e da Regap, em Betim-MG, mais recentemente, e da conquista da conta da unidade da Braskem PE-5 (ex- Ipiranga) em Triunfo.

    O registro do desempenho aquém do esperado na Kurita se torna mais relevante ao se tomar conhecimento de que a empresa tem a conta de tratamento das torres de resfriamento de seis das dez refinarias do país e de três das quatro plantas de eteno (só não trata a da central de matérias-primas da Braskem no polo de Camaçari, na Bahia). Seu desempenho apenas recentemente em recuperação deve refletir panorama semelhante ou pior nas demais concorrentes, empresas como Nalco, GE e Buckman.

    Por desempenho – Esses momentos mais críticos da economia são agravados quando os segmentos afetados já estão imersos em competitividade muito alta, como é o caso do formado pelos fornecedores de tratamento químico para água. Isso porque antes mesmo do aperto provocado pela economia esses fornecedores já tinham se acostumado a viver em um ambiente de extrema exigência por parte dos clientes. Há alguns anos prevalece entre boa parte da indústria a busca incessante por minimização de custos, visando o racionamento de uso da água, que precisa ser condicionada com menos produtos químicos possível. Junte-se a esse momento o fato de o concorrente do tratador das torres estar sempre à espreita para substituí-lo em alguma conta interessante e está criado o cenário para se viver sob constante tensão, cortando onde for possível para manter o quadro de clientes.

    Um case interessante para ilustrar essa análise do setor vem da central de matérias-primas do polo petroquímico paulista, em Mauá-SP, na Quattor, a ex-PqU. Para conseguir superar um antigo problema de seus contratos de prestação de serviços para o tratamento de suas duas torres de resfriamento, a central passou a pagar as empresas por critério de desempenho. Isso significa, segundo explicou o coordenador de utilidades da Quattor, Altino Bento, que a empresa precisa manter a taxa de corrosão do sistema no padrão de 1,5 mpy (milésimo de polegada por ano). Se conseguir abaixar a meta, ganha bônus no pagamento, mas se ultrapassá-la, há uma penalidade.

    Química e Derivados, Altino Bento, Coordenador de utilidades da Quattor, Resfriamento

    Altino Bento: Quattor passou a remunerar por critérios de desempenho

    Segundo ele, esse critério fez com que o uso de produtos químicos para o controle do sistema fosse racionalizado. “Dessa forma eles precisam manter a água sob controle ideal, sem excesso de químicos, pois o que vai contar no fi nal, para eles poderem receber mais pelo tratamento, será o bom desempenho e não a quantidade de produtos”, afi rmou Bento com a experiência acumulada de 37 anos na central petroquímica. Antes dessa medida, iniciada em meados de 2004, sempre havia a dúvida se o volume de produtos para tratar a problemática água do polo era realmente necessário, principalmente porque a taxa de corrosão da unidade anteriormente era muito maior do que a de hoje.

    A atual contratada na Quattor, a Kurita, consegue manter a taxa de corrosão em 1 mpy e está sendo bonificada já há dois anos por isso em parte do seu pagamento mensal. Para o líder da área técnica da Kurita, Antonio Ricardo Carvalho, a conquista se deveu principalmente ao uso do cloro estabilizado (marca Optimax). “Como a água do polo demanda alta dosagem de biocidas, o uso deles tende a elevar em muito a taxa de corrosão do sistema, comprometendo a planta no longo prazo”, afirmou.


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