Defensivos Agrícolas e Fertilizantes

24 de julho de 2013

Agroquímica: Insumos garantem safras recordes, mas sofrem com regulação estatal lenta

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Química e Derivados, Agroquímica: Insumos garantem safras recordes, mas sofrem com regulação estatal lenta

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    agronegócio brasileiro vai muito bem, obrigado. Safras recordes de grãos se sucedem, a produção de carnes registra forte crescimento e as exportações caminham a passos largos, embora dificultadas pela péssima infraestrutura de transportes e de armazenamento no Brasil. Há exceções, como a laranja, que amarga outro ano difícil. No cômputo setorial, o resultado é muito positivo.

    O uso de produtos químicos nas atividades agrárias explica em boa medida esse crescimento de produção e de produtividade. Dos condicionadores de solo (calcário e gesso) e fertilizantes sintéticos aos modernos defensivos, registra-se forte integração entre as cadeias produtivas química e agrícola.

    Seria, portanto, de se esperar que o agronegócio pujante fosse acompanhado por uma indústria química igualmente forte. Mas não é isso o que as estatísticas revelam. As importações de intermediários de fertilizantes e de insumos para defensivos respondem por grande parte do rombo na balança comercial química brasileira, que encerrou 2012 com um déficit de US$ 28,1 bilhões. Para importações químicas totais de US$ 43 bilhões, os intermediários para fertilizantes representaram US$ 8,2 bilhões, sendo o segmento com maior valor de compras no exterior, segundo a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). Isso representa quase 20% das importações químicas. Essa situação se repetiu de janeiro a abril de 2013, quando foram importados US$ 14,3 bilhões de químicos, entre os quais US$ 2,5 bilhões desses intermediários.

    Química e Derivados, David Roquetti Filho, Anda, indústria nacional de fertilizantes mantém investimentos

    Roquetti: indústria nacional de fertilizantes mantém investimentos

    Os valores envolvidos apontam, à primeira vista, para uma enorme oportunidade de investimentos na produção de fertilizantes sintéticos no Brasil. Olhando mais de perto, o quadro não parece tão atraente assim. “Somos realmente o quarto maior consumidor de nitrogênio, fósforo e potássio, o famoso trio NPK, mas nossa demanda representa apenas 5,9% do consumo mundial”, explicou David Roquetti Filho, diretor executivo da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), citando dados de 2010, os mais recentes publicados pela International Fertilizer Industry Association (IFA). Ou seja, não somos um player tão relevante assim.

    A China consome 28,8% de todo o NPK produzido no mundo, seguida pela Índia, com 16,8% e pelos Estados Unidos, com 11,66%. O terceiro colocado no ranking mundial consome o dobro do Brasil. “Mas é preciso salientar que o país tem a maior média geométrica de crescimento anual entre 1989 e 2010, com incremento de 6,2% ao ano, enquanto a média chinesa é de 3,51% e os EUA com 0,01% negativo”, considerou.

    Da mesma forma, a China lidera a relação dos maiores produtores mundiais de NPK, dominando 29,67% da oferta. O segundo maior produtor são os EUA, com 9,63%, em seguida vêm Índia (8,94%) e Rússia (8,3%), sempre com base nos dados da IFA para 2010. Nessa relação, o Brasil está na modesta 11ª colocação, com 1,61% e taxa média de crescimento de 2,43% ao ano, muito abaixo da registrada pela China, com 5,7%.

    “Ao contrário do que se possa imaginar, o setor brasileiro de fertilizantes não está parado, mas há vários investimentos em curso, só em 2012 foram efetivamente alocados em projetos do setor US$ 2,767 bilhões”, comentou Roquetti. Entre esses projetos, está a unidade de fertilizantes nitrogenados (UFN) que a Petrobras está construindo em Três Lagoas-MS para obter amônia e ureia de gás natural. Há projetos para aumentar a produção local de fósforo e também de potássio. A expectativa setorial é de um aumento na oferta nacional de NPK das atuais 3.425 t/ano para 9.353 t/ano em 2017. Com isso, será possível suprir 63,5% da demanda, percentual que hoje não chega a 30%.

    Química e Derivados, Projeção do mercado nacional de fertilizantes

    Projeção do mercado nacional de fertilizantes

    Os investimentos poderiam ser maiores, mas, como todos bem sabem, os custos dos principais insumos do setor, a eletricidade e o gás natural, são elevados, existem distorções tributárias que prejudicam o produto feito no país, e a infraestrutura de transportes e logística é ruim. Porém, parte do setor de fertilizantes depende de extração mineral, caso do fósforo e do potássio. “As licenças ambientais para mineração demoram muito para ser aprovadas e faltam marcos regulatórios claros para esse setor”, avaliou Roquetti. A demora de oito a dez anos para licenciamento impacta a avaliação dos projetos de investimentos, pois se torna impossível determinar o valor presente líquido com um intervalo de tempo tão longo, enquanto o mercado é volátil. Apesar disso, ele aponta que a produção nacional de fertilizantes tem preço competitivo em escala global.


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