Produtos Químicos e Especialidades

15 de julho de 2012

Adesivos – Mercado prefere produtos sem aromáticos e os de base aquosa

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    química e derivados, adesivos

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    mercado nacional de colas, adesivos e selantes dá sinais claros de evolução, tanto em termos comerciais como tecnológicos. No primeiro caso, segundo estatísticas da comissão de adesivos e selantes da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), as evidências são grandes: nos últimos cinco anos, o setor cresceu em faturamento por volta de 90%, gerando receita em 2011 de US$ 1,5 bilhão, com um volume de vendas que totalizou 400 mil toneladas. Na dianteira do crescimento, o maior uso nas indústrias da construção civil, de calçados e automotiva puxou a demanda do mercado, de certa forma acompanhando a então boa fase da economia nos últimos cinco anos (que não se repete neste ano), incrementada por novos usos nessas indústrias.

    Já em tecnologia, é unanimidade, também comprovada por estatísticas da Abiquim, que o setor passa por mudança para melhor, em direção a soluções mais amigáveis ao meio ambiente e ao ser humano. No caso, a ascensão do consumo de adesivos de base água ou do uso dos chamados solventes “verdes”, menos agressivos e tóxicos, embasa a constatação.

    De acordo com os dados da Abiquim, divulgados em primeira mão pelo coordenador da comissão de adesivos e solventes, José Duarte Paes, a mudança é percebida por meio de levantamento realizado pela associação, o qual revela aumento de consumo da tecnologia base água em contraponto à queda nas de base solvente. “Em 2006, 27% dos adesivos eram com solvente, em 2011 caíram para 17%. Os de base água representavam 46% e agora subiram para 57%”, afirmou o coordenador, também gerente de manufatura e desenvolvimento da fabricante de adesivos Lord. Ainda em 2011, os hot-melts somaram 6,5%; selantes, 16%; e outros tipos, 3,5% (epóxis, acrílicos, bicomponentes).

    Adesivos, Química e Derivados, José Duarte Paes, Coordenador da comissão de adesivos e solventes, Abquim

    Duarte: é clara a preferência pelos produtos de base água

    “Fica clara a diminuição do uso de solventes e a busca por novas alternativas, como a substituição de ftalatos como plastificantes e a troca de catalisadores com metais pesados por outras químicas mais seguras”, disse Duarte. Nessa vertente, aliás, uma substituição com potencial crescente é a troca de solventes com tolueno em adesivos de contato de varejo para sapatos ou madeira, principalmente para inibir seu uso como inalante entorpecente nas chamadas “colas de sapateiro”. A preocupação com o uso indiscriminado e perigoso à saúde, a maior parte das vezes por menores abandonados, fez a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) criar a Resolução RDC 345, de dezembro de 2005, a partir da qual apenas maiores de idade, com apresentação de carteira de identidade e preenchimento de guia, podem adquirir as colas.

    Solventes “sem barato” – Embora com a resolução da Anvisa tenha havido um pouco mais de controle, a verdade é que a medida parece não ter sido muito eficaz. Tanto foi assim que as colas ainda são a terceira droga mais utilizada no Brasil. E isso por um motivo capital: não é difícil imaginar que muitos menores se utilizem de terceiros para comprar as colas, criando um mercado paralelo, ou que muitos apresentem documentos falsos de identidade para a aquisição. A simples existência deles nas prateleiras de lojas já cria a tentação e a possibilidade de uso irregular e maléfico a crianças e adolescentes espalhados pelas cidades.

    Essa constatação está fazendo a Anvisa rever sua posição e é muito provável que em breve os solventes com tolueno (toluol) sejam banidos definitivamente dos adesivos. Foi criado um grupo de trabalho e há informações sérias no mercado de que o desejo da agência é o de seguir o caminho de países europeus, como a Alemanha, que proíbe esses solventes em produtos de varejo e só os permite para uso industrial, ou até mesmo de lugares mais próximos, como o Chile, que também adotou a proibição. No Brasil, apenas algumas empresas mais preocupadas, como a Henkel, efetuaram a mudança total para seus adesivos de contato.

    O banimento dos solventes com tolueno abriria ainda mais o campo para os solventes não-agressivos ao sistema nervoso central, ou seja, para aqueles que “não dão barato” para os drogados e nem causam problemas em trabalhadores sob exposição. As alternativas mais utilizadas aos aromáticos são o acetato de etila, a acetona e o MEK (metil-etil-cetona), normalmente em combinações entre si. E há ainda outros como o acetato de sec-butila e os acetatos de isopentila, isopentanol e isobutanol (obtidos com a fermentação de açúcares) e álcoois graxos etoxilados.

    Química e Derivados, Adesivos, Diretor global da unidade de negócios solventes da Rhodia, Antonio Leite

    Leite: substitutos do aromático dispensam mexer na formulação

    A francesa Rhodia é uma das principais e mais envolvidas fornecedoras desses solventes, por, entre outros motivos, ter fábrica em Paulínia com capacidade para 150 mil t/ano de acetato de etila e 150 mil t/ano de acetona e por também ter alternativas ao MEK (um blend de solventes denominado MEKplus). De acordo com o diretor global da unidade de negócios solventes da Rhodia, Antonio Leite, a modificação das formulações não pode sequer ser chamada de mudança tecnológica. “É simplesmente trocar um por outro, com exatamente a mesma eficácia, e com apenas menos de 1% de diferença no custo total do adesivo e, melhor ainda, sem o problema de provocar adicção e afetar o sistema nervoso central”, explicou Leite.

    Por esse motivo, Leite não vê sentido para o Brasil ainda não ter adotado o banimento desses solventes dos produtos de consumo. Na sua opinião, o problema no país é o fato de os envolvidos na questão terem colocado todos os adesivos sob uma mesma perspectiva, tanto os de uso industrial como os de varejo. “Na indústria você pode até aceitar a utilização, mediante o uso em ambiente controlado e com os corretos EPIs (equipamentos de proteção individual). Agora os produtos de varejo, além de serem empregados por viciados, também afetam aqueles que os utilizam com o propósito correto, pois nenhum sapateiro ou marceneiro vai usar máscara e ter exaustão adequada em seu espaço de trabalho”, explicou.


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      2 Comentários


      1. JOSE MAURICIO DE MATOS

        PRECISO DE UMA COLA RESISTENTE A 450 GRAUS


      2. Claudio Barbosa

        Tomara que a Anvisa realmente obrigue as empresas a abolirem de vez os solventes entorpecentes das colas de sapateiros. É um absurdo que ainda não o tenham feito. Parabéns pela reportagem.



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