Economia

11 de fevereiro de 2002

Adesivos: Guerra de preços atrasa evolução dos hot-melts

Mais artigos por »
Publicado por: Marcelo Furtado
+(reset)-
Compartilhe esta página

    Ainda considerado imaturo em termos de tecnologia, e passando por uma fase de baixos preços que prejudica sua qualidade final, mercado de hot-melts ainda tem muito a se desenvolver no Brasil

    O

    s fornecedores de adesivos hot-melt contam com a imaturidade do mercado consumidor brasileiro para prever um futuro animador. Isso porque várias tecnologias disponíveis há muito tempo no Exterior ainda não foram devidamente difundidas no Brasil, criando expectativas para o desenvolvimento de muitos novos mercados. Esse gap, resultado direto da ainda recente abertura comercial, pode ser reduzido com o lançamento de adesivos com polímeros diferenciados, que ampliam e melhoram a aplicação dos hot-melts, e com o aprimoramento das formulações dos convencionais base EVA, considerados por muitos como de qualidade intermediária no País.

    Química e Derivados: Adesivos: adesivo2Química e Derivados: Adesivos: adesivo1Esse clima latente faz parte do cotidiano das principais empresas do ramo. A maior parte de origem estrangeira, com vasto portfólio de produtos em suas matrizes, essas companhias tentam aos poucos introduzir novos conceitos de tecnologia. Aliás, não se trata aí de trabalho dos mais fáceis. Joga contra a tendência de desenvolver novos mercados a mania imediatista dos clientes de preferir hot-melts mais baratos, mesmo que limitem suas aplicações ou coloquem em risco a imagem desses versáteis adesivos termofundíveis, 100% sólidos e isentos de solventes.

    Um exemplo marcante da espécie de “cruzada” para modernizar a demanda de hot-melts no Brasil está ocorrendo para atender o mercado gráfico, de modo especial na aplicação de encadernação (bookbinding) de livros e revistas. Vários fornecedores tentam incentivar a migração dos hot-melts EVA para os de poliuretano reativo (PUR), mais resistentes para manter coladas as folhas de publicações com as chamadas lombadas quadradas.

    Uma série de vantagens técnicas do PUR sobre o EVA não só prolongam a vida útil da adesão das lombadas como tornam-na mais eficiente. Também possui resistência a temperaturas bem mais elevadas, de até 90ºC, contra até 50ºC dos adesivos convencionais. No oposto, ou seja, na resistência a frio, o PUR também tem desempenho superior: não se torna quebradiço, nem cria ranhuras quando abaixo da temperatura de congelamento, como ocorre no EVA. Além disso, o poliuretano possui característica de flexibilidade de elongação bastante superior, permitindo a aplicação de camadas com espessuras menores mas com propriedades mecânicas aprimoradas.

    Química e Derivados: Adesivos: adesivo3Comodato – A campanha a favor do emprego do PUR ganha importância ao se levar em conta a atuação da Henkel, líder do mercado nacional e mundial de adesivos. Para difundir o uso do seu hot-melt de poliuretano reativo, com nome comercial Purmelt, a empresa fornece aos clientes, em regime de comodato, os coleiros específicos para o emprego dessa tecnologia. Mas o alvo aí são grandes gráficas, com máquinas de alta produção, cujo consumo futuro do PUR justifique o investimento por volta de US$ 80 mil do equipamento coleiro, onde o adesivo é confinado e fundido em temperaturas ao redor de 120ºC para posterior aplicação em mangueiras e bicos.

    Conforme explica o seu diretor de adesivos industriais para a América do Sul da Henkel, Julio Kampff, o perfil inicial das gráficas consumidoras do poliuretano são as especializadas em publicações mais duradouras, como livros didáticos e bíblias.

    “Essas empresas querem garantir a colagem por mais tempo e não se importam em pagar mais pelo quilo do PUR”, diz. Enquanto o hot-melt de EVA oscila entre US$ 2/kg e US$ 4/kg, o poliuretânico pode variar desde US$ 10 até US$ 18.

    Dispostos em baldes especiais, nos quais são embalados em filmes flexíveis, e abertos apenas na hora da aplicação para não reagir com a umidade do ar, o PUR também possui outra vantagem considerada tão importante como sua maior resistência e flexibilidade. De acordo com Julio Kampff, eles são ideais para colar embalagem e material gráfico produzidos com papel reciclado. Isso porque este tipo de papel possui fibras curtas e precisa ser mais revestido com coatings e caulim, tornando-se uma superfície complicada para a

    Química e Derivados: Adesivos: Balde com o hot-melt de PU da Henkel.

    Balde com o hot-melt de PU da Henkel.

    chamada ancoragem do adesivo. “Por ter um desempenho de adesão superior, seu rendimento em reciclados é muito maior do que o de EVA”, diz o diretor. Além disso, vale acrescentar que o PUR pode ser totalmente removido da polpa do papel, facilitando novas reciclagens.

    Apesar do preço ainda ser um limitante ao desenvolvimento do mercado, Julio Kampff confia muito nas vendas futuras do poliuretano reativo. À medida em que a Henkel e demais produtoras começarem a expandir a oferta, inclusive com novas ou incrementadas produções locais, o preço do adesivo deverá cair. Como conseqüência direta, seu uso deve atingir não só o mercado gráfico de menor porte como ainda em outros setores onde também tem emprego, como o automobilístico, o moveleiro e até no do-it-yourself (faça você mesmo). Neste último caso, a Henkel lançou há pouco na Alemanha um kit para aplicação com pistola.

    Produção nacional – Por parte da Henkel, essa perspectiva do PUR faz o grupo incluir em seus planos o início de produção local, deixando de lado a importação do adesivo alemão. Aliás, por ser um mercado ainda pequeno, a maior parte das outras empresas iniciadas no ramo também importam esses produtos. O único fabricante local é a 3M do Brasil, de Sumaré-SP, cuja produção do poliuretano Jet Weld PUR foi nacionalizada há cerca de dois anos. A decisão foi em razão da alta generalizada das principais matérias-primas.


    Página 1 de 41234

    Compartilhe esta página







      Um Comentário


      1. Sempre foi assim .Reduzir custo a toda hora .Não é só nessa condição que vivemos hoje ..

        Quem sabe fazer , faz.Pois já passamos momentos quais…ou não ?

        Abraço todos



      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


      ""
      1
      Newsletter

      Receba artigos, notícias e novidades do mercado gratuitamente em seu email.

      Nomeseu nome
      Áreas de Interesseselecione uma ou mais áreas de interesse
      Home - Próximo Destino Orlando
      ­
       Suas informações nunca serão compartilhadas com terceiros
      Previous
      Next