Química

24 de março de 2003

Adesivos: Base água ganha espaço no mercado de calçados e madeiras

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    Com a condenação dos solventes orgânicos, mercado de adesivos de contato começa a utilizar com sucesso alternativas aquosas, vencendo os preconceitos dos aplicadores

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    ão tem odor forte nem aparência viscosa, possui consistência rala e gera desconfiança na maioria dos sapateiros e marceneiros. Mas na hora da aplicação prova ser uma cola de boa qualidade, ou seja, um eficiente adesivo de contato, utilizado há décadas por profissionais e fábricas do ramo na manufatura de calçados e artigos de madeira.

    O produto com característica “excêntrica”, distinto pelo cheiro e textura das populares colas de sapateiros, é o adesivo aquoso, cujo emprego se alastra no Brasil e no mundo, a despeito de sua aparência inócua. Tendência iniciada na década de 80, com a condenação de ordem ambiental e de saúde ocupacional dos solventes orgânicos como veículos dos adesivos, apenas recentemente encontrou o rumo comercial. Depois de muitas tentativas, os principais produtores de matérias-primas e os fabricantes de adesivos conseguiram chegar a consensos tecnológicos e de marketing, vencendo os obstáculos que impediam o desenvolvimento dos produtos base d’água.

    Química e Derivados: Adesivos: Formulação aquosa de policloropreno adere folha de mogno em painel de MDF.

    Formulação aquosa de policloropreno adere folha de mogno em painel de MDF.

    “Embora as formulações existam há cerca de dez anos, elas não tinham muita aceitação, porque faltava um trabalho intenso de treinamento e explicação da tecnologia”, afirmou Marco Cesar da Eira, gerente de marketing e vendas de adesivos para América Latina da Bayer Polymers, uma das líderes no fornecimento de resinas de policloropreno (CR) e de poliuretano (PU) para aplicação em adesivos de contato.

    Quando se refere a treinamento, Eira não só envolve o usuário final, como também, em uma primeira fase do lançamento do produto, o fabricante do adesivo. E foi este trabalho que a Bayer precisou fazer. “Faltava suporte técnico para o produtor conhecer as vantagens e investir no desenvolvimento de uma cola base água”, diz. Esse tipo de estratégia adotada se tornou necessária por não haver no Brasil, ao contrário da Europa e dos Estados Unidos, nenhuma legislação capaz de obrigar o abandono ou reduzir o uso de solventes orgânicos.

    Foi preciso ainda explicar o porquê das novas formulações serem até cinco vezes mais caras e, assim mesmo, argumentar firmemente em favor da adoção dos novos adesivos. Isso sem falar da urgência em se desmistificar os muitos boatos divulgados contra eles no mercado. Principalmente as maledicências que colocavam em dúvida a eficiência relacionada ao veículo aquoso.

    Química e Derivados: Adesivos: Eira - faltava explicar a tecnologia.

    Eira – faltava explicar a tecnologia.

    Uma única argumentação defendia os aquosos de seus dois supostos defeitos: o preço elevado e a ineficiência operacional. Bastava explicar a estrutura dos adesivos de contato, que possuem este nome porque apenas colam mediante o contato entre os dois substratos devidamente revestidos com o produto. Os adesivos aquosos possuem teor de sólidos, ou seja, da resina base, bastante superior aos de base solvente. Têm em média 40% a 50% de resina, contra 15% a 20% dos convencionais, justificando não só o preço mais alto como sua eficácia.

    “O que cola é a resina; o solvente, seja ele a água ou os perigosos tolueno ou n-hexano, apenas a dilui para a aplicação”, afirmou o gerente da Bayer. Com isso rebate as argumentações contra a funcionalidade dos aquosos, mas por si só não garante o seu sucesso no mercado. Foi preciso acrescentar outras informações fundamentais, referentes à forma como o adesivo deve ser aplicado. “Quem muda de tecnologia, precisa ser treinado”, alerta Eira.

    Para começar, os aquosos não toleram excessos, como os de base solvente. Eles precisam ser aplicados em mínima camada sobre o substrato, com pincel especial ou, em alguns casos, em spray. Isso porque, caso se aplique muito adesivo, não só o tempo de evaporação pré-colagem se estenderá a um ponto inviável, como o excesso de umidade afetará a química da aderência. E a ultraconcentração de resinas dos aquosos é suficiente para garantir a colagem com uma simples camada.

    Química e Derivados: Adesivos: Fabricantes de tênis colam solado com PU aquoso.

    Fabricantes de tênis colam solado com PU aquoso.

    Essa característica do produto, aliás, traz de quebra a vantagem de evitar desperdício de materiais, muito comum quando se utilizam as colas tradicionais.

    Outro convencimento a que os fabricantes de matérias-primas se viram obrigados a fazer foi referente ao tempo de secagem da aplicação. A princípio, seria esta uma desvantagem dos aquosos, tendo em vista a velocidade de evaporação muito maior dos solventes do que a da água. Ocorre que, por conter teor de sólidos maior, a quantidade de água a ser evaporada é menor, tornando o tempo de secagem quase igual nas duas tecnologias. Ainda convém considerar que as dispersões de resinas nos dois produtos contêm água.

    Poliuretano aquoso – Nada melhor para entender o progresso desse mercado que cresce a taxas surpreendentes, em detrimento da queda de uso dos de base solvente, do que conhecer a experiência de fabricantes de adesivos no País. Há bons exemplos tanto no mercado de adesivos de contato de PU aquosos, voltados mais para colagem de solados de sapatos e de alguns componentes desse setor, como no de colas de sapateiro, de marcenaria e de movelarias, baseadas nas borrachas de policloropreno (CR).

    Além do depoimento dos produtores, os primeiros números existentes no mercado comprovam o acerto das empresas que resolveram entrar na onda do adesivo ecológico de contato. Começando pelo poliuretano, em um período de dois a três anos, desde quando começaram a ser ofertados no Brasil, os produtos passaram a colar os solados de 15% do mercado total brasileiro de 620 milhões de pares anuais de calçados. Isso significa, segundo levantamento da Bayer, que as taxas de crescimento foram de 64% ao ano. Logicamente o crescimento é sobre base zero, mas mesmo assim representa um desempenho considerável. Já os adesivos de policloropreno ainda estão numa fase mais inicial, mas já começam a ser ofertados com sucesso, tanto para o mercado calçadista, como principalmente no moveleiro.


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