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18 de novembro de 2010

ABTCP – Encontro aponta setor em crescimento, mas preocupado com a sustentabilidade

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Publicado por: Tom Cardoso
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    Química e Derivados, ABTCP, Encontro aponta setor em crescimento, mas preocupado com a sustentabilidade

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    43º Congresso e Exposição Internacional de Celulose e Papel, realizado de 4 a 6 de outubro no Transamerica Expo Center, em São Paulo, não serviu apenas para constatar que o setor, depois de sofrer os impactos da crise internacional, retomou o ritmo de crescimento, como deixou claro que há um longo caminho a percorrer, dada a pretensão brasileira de quase duplicar a produção atual de celulose de 12 milhões de toneladas para 20 milhões de toneladas até 2020.

    Química e Derivados, Lairton Leonardi, ABTCP, importância da sustentabilidade

    Leonardi: quem não investir em produção limpa vai perder o "bonde"

    Segundo Lairton Leonardi, presidente da Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel (ABTCP), organizadora do congresso, o país só vai alcançar as metas desejadas se todos os empresários entenderem a necessidade urgente de apontar os dois olhos para a questão da sustentabilidade. Temas como tratamento de efluentes, créditos de carbono, certificações ISO/FSC, controle de poluição, sistema de gestão integrado, criação de reservas de área natural e avanço tecnológico vão dominar a pauta nos próximos anos. “Não tem o menor sentido falar de futuro, dos milhões de investimentos, das exportações, sem realçar a importância da sustentabilidade”, afirmou Leonardi, durante a palestra em que apresentou os indicadores do setor. “O empresário que não perceber que o Brasil está mudando, que é preciso investir ainda mais em pesquisas, em sustentabilidade, vai perder o bonde da história.

    Os números do setor de papel e celulose são todos animadores – a produção em 2010 deve atingir 14 milhões de t (um avanço de 3,7% em relação ao ano passado) e as exportações chegarão a 6,3 milhões de t, um aumento de 25% comparado a 2009. Porém, apesar de todas as conquistas e avanços em biotecnologia, o Brasil ainda desempenha um papel tímido em relação ao seu enorme potencial produtivo. Mesmo que o setor cumpra a ousada meta de passar, até 2020, de 2,2 milhões de hectares (ha) de área plantada para 3,2 milhões, isso ainda será pouco. Hoje, existem 5,5 milhões de ha de florestas plantadas para vários usos no Brasil, o que equivale apenas a 0,2% das terras nacionais agriculturáveis.

    Como crescer vertiginosamente, do­brar a produção, aumentar em um milhão de hectares a área plantada sem criar qualquer tipo de conflito com os ambientalistas? É possível, porque a produção de papel e celulose obtém 100% de sua matéria-prima de áreas de reflorestamento, formadas principalmente de eucalipto e pinus. Além disso, por meio de pesquisas de melhoramento genético, as plantações atuais de eucalipto são capazes de produzir uma média anual de 45 m³/ha – até pouco tempo atrás esse número não passava de 15 m³/ha. Esse ganho competitivo faz do Brasil um país privilegiado, capaz de produzir um milhão de toneladas por 100 mil ha, enquanto os países escandinavos necessitam de uma área de 700 mil hectares para a mesma produção de madeira.

    Mas isso não significa que o Brasil está livre de pressões ambientais. Para produzir uma tonelada de papel são necessárias de duas a três toneladas de madeira, além de uma grande quantidade de água e de energia, sem falar nos produtos químicos usados na separação e no branqueamento da celulose – segundo estudos, só na polpação e no clareamento da celulose são liberados em torno de 62 milhões de metros cúbicos de efluentes.

    Química e Derivados, Afonso Moura, ABTCP, setor de celulose e papel precisa aproveitar mais a biomassa de madeira

    Moura: setor precisa usar biomassa de madeira para gerar energia

    A importância da biomassa – Exemplos como o ocorrido na cidade uruguaia de Fray Bentos ainda estão vivos na memória de todos os empresários do setor. Durante quatro anos, a ponte que liga Fray Bentos à cidade argentina Gualeguaychú foi bloqueada por ambientalistas portenhos, que protestavam contra a instalação de uma fábrica de pasta de celulose na região. Não há casos com a mesma dimensão no Brasil, mas Afonso Moura, gerente técnico da ABTCP, acredita que o setor de celulose e papel precisa aproveitar com mais eficiência a vantagem de poder usar a biomassa de madeira e de outras matérias-primas não só para baixar o impacto ambiental, mas também para fomentar a geração de toda uma nova cadeia de negócios. Durante anos, o Brasil, segundo Moura, não fez a lição de casa, por acreditar que a energia seria para sempre abundante e barata. Já não é mais.

    “Conseguimos otimizar bastante a produção, aplicando novas tecnologias, mas há muito para fazer”, afirmou Moura. “Hoje é possível produzir uma tonelada de celulose com números cada vez menores de consumo de água, mas a margem ainda é muito grande.” Até pouco tempo, era preciso de 30 a 35 metros cúbicos de água para cada tonelada de celulose – hoje esse número está em torno de 20 a 25. Moura lembrou que desde 2006, a energia obtida de biomassa cresceu 50%, somando 18% do total do consumo nacional em 2009. Durante sua palestra, o gerente técnico da ABTCP citou um estudo feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que aponta no setor de papel e celulose um potencial para aumentar em pelo menos 20% a sua eficiência energética.

    A geração mais eficiente de energia supriria não só o processo, mas também seria uma boa alternativa para a produção de biocombustíveis. “É fundamental para o Brasil trazer para o centro do debate a questão das biorrefinarias. Os outros países avançaram muito no desenvolvimento de tecnologias para a geração de combustíveis obtidos da celulose, algo que o Brasil não fez e está notoriamente atrasado”, afirmou Moura, que não acha, entretanto, que o país se tornará menos competitivo por causa disso. “O Brasil não as desenvolveu, mas já vai aplicá-las de imediato. Não adianta os outros países possuírem a tecnologia e não ter onde aplicá-la por falta de projetos. E nós temos novos projetos.”


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