Papel e Celulose

13 de outubro de 2011

ABTCP 2011 – Escassez de profissionais ameaça a competitividade

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Publicado por: Gerson Trajano
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    contratação de mão de obra em período de escassez de profissionais qualificados, a redução do consumo de água e o aumento da eficiência energética são os principais desafios da indústria brasileira de papel e celulose para se manter competitiva. É o que revela a 1ª Sondagem Setorial Técnica realizada pela ABTCP, apresentada no 44º Congresso e Exposição Internacional do setor.

    Segundo o levantamento, 71,43% das empresas entrevistadas enfrentam dificuldades para contratar pessoal especializado. Num cenário de crescimento mundial, a falta de mão de obra representa uma restrição ao crescimento da produção do papel brasileiro.

    Para enfrentar a concorrência internacional, em 2011 o setor investirá R$ 5 milhões em qualificação e treinamento e já faz acordos com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e com universidades, para a formação de cunho profissionalizante. Em março de 2012, começará o primeiro curso de pós-graduação em Tecnologia de Celulose e Papel, na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, com duração de 16 meses.

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    Moura: especialização em celulose de eucalipto exige capacitação

    “Queremos formar profissionais que desenvolvam e disseminem o conhecimento de papel feito totalmente com fibras de eucaliptos brasileiros, condições inéditas para produtores e mercados internacionais”, explicou Afonso Moura, diretor técnico da ABTCP.

    A 1ª Sondagem Setorial Técnica da Indústria de Celulose e Papel ouviu 57 companhias, que representam 40% da produção brasileira. Entre elas, empresas como a Suzano Papel e Celulose, Voith, grupo Orsa e Fibria. A sondagem foi realizada entre julho e setembro deste ano.

    Sustentabilidade – A água é outro fator a tirar o sono dos fabricantes. A manufatura de papel e celulose utiliza grandes quantidades de água, que geram volumes igualmente enormes de efluentes líquidos. Geralmente esses efluentes são ricos em sólidos suspensos, em matéria orgânica dissolvida, cor e, sobretudo, compostos organoclorados.

    A tese de doutorado Sistemas de Avaliação Ambiental na Indústria de Celulose e Papel, apresentada em 2007 na Universidade Federal de Viçosa, por João Carlos de Almeida Mielli, informa que o consumo médio de água em fábricas de celulose no Brasil é de aproximadamente 60 m³/tsa. “Esse número tende a aumentar nas unidades mais antigas ou naquelas onde há pouca preocupação com a água. E tende a diminuir a até 25 m³/tsa nas fábricas mais modernas ou naquelas que apresentam limitações de captação e tratamento de água”, disse o pesquisador.

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    Leonardi: reaproveitamento de água dos processos já cega a 40%

    O uso da água vem sendo progressivamente taxado pelos órgãos governamentais em todo o território brasileiro, o que tem pressionado a racionalização de seu consumo e o fechamento do circuito de produção.

    A Veracel, que utiliza água do rio Jequitinhonha, em Minas Gerais, possui um sistema de recuperação moderno. A água é captada e bombeada para a fábrica, onde passa por um tratamento físico-químico para se adequar ao consumo industrial e humano. Por possuir equipamentos de medição precisa e circuitos fechados de operação, atinge um consumo de 25 m³/tsa. A empresa trata cerca de 70 milhões de litros de água por dia.

    A responsabilidade ambiental passa a representar uma condição de sobrevivência para as empresas. “Nos últimos dez anos reduzimos gradativamente o consumo de água em nossos processos industriais. As melhores práticas de reúso indicam reaproveitamento de aproximadamente 40% da água no processo”, afirmou Lairton Leonardi, presidente da ABTPC. (ver gráfico)

    A sondagem mostra que 81% das empresas possuem de duas a oito iniciativas voltadas para a sustentabilidade de suas ações. Entre elas podemos citar: o gerenciamento de resíduos sólidos, incluindo reúso de água e compostagem; a substituição de óleos combustíveis por gás natural ou biomassa; a redução de perdas térmicas no processo; a adoção de tecnologias que elevem a produtividade das plantações; e a otimização da queima do licor negro.

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    Gráfico: Setor – Pegada Hídrica (Reúso de Água) – Clique para ampliar

    Segundo a ABTCP, graças ao uso de fontes energéticas renováveis, como o licor negro (65%) e a biomassa (19%), além do gás natural (8%), em detrimento do óleo combustível (6%), as emissões de CO2 da indústria de celulose responderam por apenas 2,6% do total da indústria nacional.

     

    Leia mais sobre a ABTCP 2011:



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