Química

30 de novembro de 2007

Abrafati – Abrafati 2007 reúne público qualificado e enfatiza temas ligados a ambiente e saúde

Publicado por: Hilton Libos Marcelo Fairbanks e Rose de Moraes
+(reset)-
Compartilhe esta página

    A

    manhã tipicamente paulistana, fria e garoenta, do dia 24 de outubro marcou a abertura do 10º. Congresso Nacional de Tintas e sua respectiva Exposição de Fornecedores, ambos sob a denominação de Abrafati 2007. Com imagem consolidada no mercado mundial, a promoção brasileira disputa a posição de melhor reunião técnico-comercial da indústria de tintas, ao lado de similares norte-americanos e europeus, como o European Coatings Show.

    Quem enfatizou a relevância internacional do encontro foi o presidente do International Paint & Printing Ink Council (IPPIC), Edward J. Donnelly Jr., durante a primeira sessão plenária, apresentada logo depois da breve cerimônia oficial, comandada pelo presidente- executivo da Abrafati, Dilson Ferreira. A expectativa inicial da entidade nacional era de reunir mais de 150 expositores e milhares de visitantes, metas cumpridas ao final do dia 26 de outubro, quando começaram a ser desmontados os estandes que ocupavam o Transamérica Expo Center.

    Química e Derivados, Edward J. Donnelly Jr., Presidente do International Paint & Printing Ink Council(IPPIC), Abrafati - Abrafati 2007 reúne público qualificado e enfatiza temas ligados a ambiente e saúde

    Donnely Jr.: setor deve manter ética rígida para ser respeitado

    Temas ligados à proteção ambiental e à saúde de trabalhadores e consumidores dominaram as 60 palestras técnicas, ao lado das novidades tecnológicas, automação industrial, qualidade e logística. O vasto temário foi tratado por especialistas brasileiros, argentinos, norte-americanos e europeus, após rigorosa seleção. O coordenador do comitê científico da Abrafati, Jorge Fazenda, avaliou que a quantidade e a qualidade dos trabalhos submetidos ao comitê superaram as expectativas: “O alto nível dos trabalhos inseridos nos objetivos do congresso nos obrigou a absorvê-los na programação”, enfatizou Fazenda. A coordenadora do congresso, Telma Florêncio, disse que o número recorde de trabalhos se justifica. “A participação em uma feira deste porte é também uma forma de obter prestígio para as idéias e desenvolvimentos do pesquisador. Aqui, seu trabalho fica acessível a importantes profissionais do universo das tintas”, analisou Telma. Além das palestras, concorridas sessões plenárias e apresentação de pôsteres completaram a programação técnica.

    Panorama global – O IPPIC congrega 38 associações de fabricantes de tintas, como a Abrafati, espalhadas por todos os continentes do globo, com o objetivo de apresentar os principais problemas do setor e como lidar com eles. Temas familiares ao conselho mundial são a rotulagem de produtos no sistema europeu Reach, manipulação de insumos químicos, normas oficiais e, principalmente, gerenciamento de dados setoriais para a elaboração de estatísticas confiáveis. “Não há bons dados disponíveis em âmbito mundial sobre o setor de tintas e vernizes”, afirmou Donnelly. “Queremos contribuir para coletar e distribuir informações apuradas para todos, apoiando o desenvolvimento de produtos e investimentos.”

    O simpático executivo internacional exibiu números para embasar a previsão de crescimento do mercado mundial de tintas em 5,4% ao ano em valor e 5,5% em volume entre os anos de 2005 e 2010. Entre 2001 e 2005, o desempenho setorial registrou acréscimo anual médio de 2,7% em valor e 4,2% em volume. “As vendas mundiais da indústria de tintas chegaram a US$ 80 bilhões em 2006, e devem alcançar US$ 86 bilhões com a venda de 27 bilhões de litros em2007”, estimou Donnelly, acendendo os olhos da platéia.

    Química e Derivados, Abrafati - Abrafati 2007 reúne público qualificado e enfatiza temas ligados a ambiente e saúde

    Os motores do crescimento setorial, porém, estão na Ásia e na Europa Oriental. Segundo informou o dirigente setorial, finalmente em 2006 e 2007 começou a se efetivar o crescimento econômico de países como a Rússia e a Turquia, movimento esperado há vinte anos. Até 2010, essa região deverá aumentar o consumo de tintas em 68% em relação aos dados de2005. AÁsia, no mesmo período, deve ampliar seu mercado em 39,8%, enquanto a América Latina deve crescer apenas 17% em tintas.

    Atualmente, a região Ásia/Pacífico representa 31% do valor total das vendas mundiais, seguida pela Europa Ocidental (28%), América do Norte (25%) e América Latina, esta com 4%, dos quais o Brasil responde por 3%. “Um americano gasta por ano US$ 169 com tintas, enquanto um brasileiro não passa de US$ 40 e um chinês, US$19”, afirmou. A China é um mercado gigante para tintas, avaliado em US$ 7 bilhões, dos quais a metade está ligada às tintas decorativas para construção civil.

    Brasil faz bonito – Os números brasileiros do setor receberam elogios do presidente da IPPIC. Em 2006, o faturamento setorial chegou a US$ 2 bilhões, correspondendo a mais de um bilhão de litros. Para este ano, é esperado um crescimento de 6% em valor, melhor que a média mantida entre 2001 e 2005, de 3,7%. “O mercado brasileiro deve manter o ritmo de evolução, aproveitando a estabilidade econômica e a melhoria da confiança do consumidor, que puxa a venda de imóveis e automóveis”, salientou.

    Donnelly recomenda aos fabricantes brasileiros atuar com responsabilidade para sustentar o crescimento setorial a longo prazo. Ele recomenda aprimorar a qualidade dos produtos vendidos, adotar práticas de saúde ocupacional e responsabilidade ambiental e ampliar investimentos produtivos. “Nada disso faz sentido sem uma postura ética rígida, que angarie o respeito do governo, clientes e empregados”, ressaltou.

    Ainda espantado com o trânsito carregado da capital paulista, piorado pela chuva fina e insistente daquela manhã, Donnelly apontou o segmento de repintura automotiva como um dos mais promissores no Brasil, despertando risos. Sem ironia, ele comentou que esse mercado está estagnado nos EUA e na Europa Ocidental. “Os carros ficaram mais seguros e a fiscalização de tráfego mais intensa, reduzindo a ocorrência de acidentes nessas regiões”, afirmou. Além das leis severas contra o consumo de bebidas alcoólicas na Europa, ele citou outros fatores depressores desse segmento. O alto custo de mão-de-obra para reparação de veículos reduz a demanda por esse serviço, sendo mais fácil comprar um carro novo que consertar o velho. As seguradoras tendem a qualificar as ocorrências como “perda total” com muito mais facilidade do que no Brasil.


    Página 1 de 3123

    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


      ""
      1
      Newsletter

      Receba artigos, notícias e novidades do mercado gratuitamente em seu email.

      Nomeseu nome
      Áreas de Interesseselecione uma ou mais áreas de interesse
      Home - Próximo Destino Orlando
      ­
       Suas informações nunca serão compartilhadas com terceiros
      Previous
      Next