Economia

5 de março de 2016

Abiquim: Indústrias químicas brasileiras incorporam processos biotecnológicos para oferecer mais soluções de baixo carbono

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Publicado por: Quimica e Derivados
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    Química e Derivados, Abiquim: Indústrias químicas brasileiras incorporam processos biotecnológicos para oferecer mais soluções de baixo carbonoCop-21 e debate sobre mudança do clima devem impulsionar investimento em tecnologias baseadas em matérias-primas renováveis.

    Texto: Adriana Nakamura*

    Durante a 21ª Conferência do Clima (CoP-21), que será realizada em dezembro deste ano em Paris, na França, governantes de diversos países discutirão o futuro de baixo carbono. Na ocasião, o Brasil deve apresentar meta ousada de redução de emissões, conforme a presidente Dilma Rousseff anunciou na Cúpula da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, em setembro. Até 2030, o País vai se comprometer a reduzir em 43% a emissão de gases de efeito estufa (GEE), em relação a 2005.

    Na avaliação do secretário de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Carlos Augusto Klink, o Brasil tem papel de destaque nas mudanças climáticas, não só no campo da diplomacia, mas também nos resultados e na sua ambição futura. “De acordo com as últimas estimativas do governo, o Brasil reduziu em 40% as emissões de gases causadores do efeito estufa entre 2005 e 2012. Nos últimos dez anos, foi reduzido 82% do desmatamento no País”.

    Como observa o professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), Carlos Eduardo Pellegrino Cerri, devido à redução do desmatamento já conquistada, hoje a participação das atividades produtivas e da queima de combustíveis fósseis nas emissões é muito maior do que em 2005, o que exige um esforço cada vez maior para contribuir na redução das emissões.

    Estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com 85 stakeholders, entre governo, associações industriais, ONGs, centrais sindicais e acadêmicos, concluiu que a meta de Copenhagen de redução das emissões para 2020 seria tranquilamente alcançada pelo Brasil, mas que entre 2020 e 2030, as emissões voltariam a crescer de forma mais intensa e não mais com picos relacionados ao desmatamento, como aconteceu no passado, mas por causa da atividade econômica. “Esse crescimento mais acelerado das emissões nas próximas décadas estaria ligado à queima de combustíveis fósseis por transportes, indústrias, pelo setor produtivo em geral, e também pela atividade agropecuária. O aumento das emissões será muito mais estrutural e ligado ao crescimento da economia do país”, explica o professor William Wills, pesquisador da UFRJ. De acordo com ele, essa nova característica do aumento das emissões, relacionada ao crescimento do PIB do Brasil, exigirá uma estratégia muito bem definida para reduzir o lançamento de GEE na atmosfera, para não prejudicar o crescimento nacional.

    A partir do levantamento da UFRJ, foram identificadas medidas de mitigação mais adequadas e custo-efetivas. Então, foi construída uma curva elencando da medida mais barata para a mais cara, e a conclusão foi que 71% do potencial de abatimento de GEE identificado tinha custo abaixo de US$ 20,00 por tonelada de CO2. “Ficou claro que o Brasil tem um grande potencial de mitigação a baixo custo”, comenta o professor Wills, para quem o estudo detectou também o importante papel da biomassa e dos biocombustíveis para a mitigação das mudanças do clima e para o alcance da meta a ser apresentada pelo governo brasileiro na CoP-21.

    A indústria química, por meio da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), participa ativamente das discussões referentes às mudanças climáticas e ao aquecimento global, tanto em nível nacional, atuando com o governo e com as associações industriais, como internacional, colaborando com o Conselho Internacional de Associações da Indústria Química (ICCA, na sigla em inglês).

    De acordo com levantamento da equipe de Assuntos Técnicos da Abiquim, o setor químico é responsável por aproximadamente 10% da demanda de energia global. Por outro lado, a química também é vital para a economia de energia e redução de emissão dos gases de efeito de estufa. Segundo estimativas do ICCA, as tecnologias desenvolvidas pela química para materiais de construção, por exemplo, podem reduzir a demanda global de energia em 41% até 2050 e as emissões de GEE, em 70%, no mesmo período. Um outro exemplo é o desenvolvimento de biopolímeros, que capturam CO2 da atmosfera, produto cujo maior produtor mundial é o Brasil.

    O setor químico é também parte da solução das mudanças climáticas desde 1992, quando implementou o Programa Atuação Responsável®, iniciativa voluntária da indústria química mundial, gerida no Brasil pela Abiquim, destinada a demonstrar seu comprometimento na constante melhoria de seu desempenho em saúde, segurança, meio ambiente e sustentabilidade. “A Abiquim acompanha a intensidade de emissões de gases de efeito estufa do setor desde 2006 e o setor tem orgulho de já ter reduzido essa intensidade em mais de 50% até 2013”, comemora o gerente de Gestão Empresarial da Abiquim, Luiz Shizuo Harayashiki.


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