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5 de julho de 2016

Indústria química investe em melhorias na gestão de recursos hídricos – Abiquim

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Publicado por: Quimica e Derivados
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    Química e Derivados, Abiquim: Indústria química investe em melhorias na gestão de recursos hídricos

    Possíveis efeitos das mudanças climáticas sobre o equilíbrio hídrico afetam o modo como o setor produtivo administra o uso da água

    Texto: Adriana Nakamura

    O Dia Mundial da Água é celebrado em 22 de março, mas não é apenas nessa data que a indústria química se preocupa com a gestão de recursos hídricos.

    Desde muito antes dos últimos anos de seca e da chegada do El Niño, com seus efeitos sobre o equilíbrio hídrico na região Sudeste do Brasil, o setor já tratava de reduzir o consumo de água em seus processos e produtos, além de promover o seu reuso. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), entre 2006 e 2014, o setor reduziu 36% da captação de água. Além de diminuir o consumo específico do recurso, a indústria química também aumentou a porcentagem de efluentes reciclados em seus processos, de 4,6 m3 por tonelada de produto em 2009 para 9,5 m3 por tonelada de produto em 2014.

    No entanto, o que tem preocupado não apenas o segmento químico, mas a indústria como um todo, é que a crise hídrica pode ter efeitos muito mais permanentes do que uma seca passageira.

    De acordo com o estudo “Riscos Climáticos: Como o setor empresarial está se adaptando”, elaborado pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), projeções realizadas para o Brasil demonstram um aumento de temperatura que pode variar de 0,5 a 1,5 oC e alterações nos regimes de chuva em todos os biomas. Por isso, um dos riscos físicos para o ambiente de negócios, levantados pelo estudo do CEBDS, são as secas. O material, que foi feito para ser apresentado na Conferência do Clima do final do ano passado em Paris (COP-21), traz, ainda, a informação de que o aumento da temperatura tem efeitos diretos sobre o ciclo hidrológico e a distribuição temporal e espacial das chuvas. Esse seria um dos fatores que tendem a afetar a disponibilidade hídrica, fato que já tem se manifestado na região metropolitana de São Paulo nos últimos dois anos, como lembra o texto.

    Química e Derivados, Abiquim: Indústria química investe em melhorias na gestão de recursos hídricosSegundo o assessor técnico do CEBDS, André Ramalho, embora se considere que a seca em São Paulo possa ter tido influência das mudanças climáticas, não há dados conclusivos que permitam fazer essa afirmação. No entanto, Ramalho alerta que isso não é motivo para se ignorar os maiores riscos ambientais e hídricos aos quais a população está sendo exposta à medida que o mundo progride para se aquecer cada vez mais. Na opinião do assessor técnico, as empresas devem investir cada vez mais em ações de mitigação e recuperação dos recursos hídricos, seja individualmente, ou coletivamente. “A última crise já mostrou que as operações e, consequentemente, a produtividade e o lucro, podem ser afetados com situações como a redução de vazão em prol do abastecimento humano e da produção de energia. Além disso, pode-se ter também o aumento nos custos com energia elétrica e a perda da qualidade de água, que imputa em maiores gastos com tratamento e pode levar a alterações no modo produtivo, no produto ou até mesmo resultar na necessidade de transferência da planta”, lembra Ramalho.

    De fato, a seca dos últimos meses alarmou a indústria química para a tomada de providências ainda mais específicas para a melhoria contínua da gestão da água. No início de 2015, foi criado um grupo de trabalho para tratar do assunto – GT Água – dentro da Comissão de Meio Ambiente da Abiquim. “A indústria química já considerava a água como recurso de grande importância ambiental e econômica para suas operações e, com a crise hídrica, vimos que a devemos tratar dela dentro da estratégia dos negócios”, explica o coordenador do GT Água da Abiquim e engenheiro de Meio Ambiente da Solvay Indupa, Wagner Freitas.

    Um dos resultados dos esforços do GT foi a publicação do Guia para Elaboração de Plano de Contingência para a Crise Hídrica. O material foi estruturado em ações sugeridas para quatro níveis de contingência – verde, amarelo, laranja e vermelho – que devem ser definidos por unidade produtiva, ou seja, com base no perfil hidrológico atual da bacia hidrográfica onde a unidade esteja instalada. As medidas de mitigação recomendadas para cada nível possibilitam às empresas avaliar as ações propostas e moldá-las de acordo com sua realidade. No nível verde, a empresa está no uso pleno dos recursos hídricos e, no nível mais crítico (vermelho), o volume de água das fontes hídricas é insuficiente para atender a fábrica. O guia está disponível gratuitamente para download em abiquim.org.br

    De acordo com Wagner Freitas, o GT Água trabalha atualmente na elaboração de um manual de uso eficiente de recursos hídricos, além de acompanhar projetos de Lei sobre o tema, a fim de dar contribuições pertinentes à indústria. “Apesar de as chuvas terem retornado, a disponibilidade hídrica para a região metropolitana de São Paulo ainda é preocupante. Ao longo do tempo, com o aumento da população e com as variações climáticas, as bacias com baixa disponibilidade hídrica estarão cada vez mais suscetíveis à falta de água”, alerta Freitas.


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