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27 de agosto de 2015

Abiquim: Diversificação de materiais torna sistemas construtivos mais leves e limpos

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Publicado por: Quimica e Derivados
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    Química e Derivados, Diversificação de materiais torna sistemas construtivos mais leves e limpos

    Edificações industrializadas que adotam técnicas inovadoras de associação do concreto ao pvc, polipropileno e outros polímeros emitem menos co2 e ampliam produtividade

    Na edição anterior de Química e Derivados (QD-557), foi publicada a primeira de uma série de reportagens sobre as soluções da indústria química para construções civis mais sustentáveis. Como foi demonstrado, as inovações do setor podem promover a melhoria da eficiência energética, reduzindo até 40% do valor da conta de luz. Agora, o foco recai sobre os materiais que aumentam a produtividade das obras, reduzem os resíduos e tornam os sistemas construtivos das edificações mais leves e eficientes.

    Texto: Adriana Nakamura

    Pense no material de construção industrializado mais leve que você conheça. Certamente, o concreto não será o primeiro produto a surgir em sua mente. Entretanto, um levantamento do Núcleo Orientado para a Inovação da Edificação (Norie) mostrou que a grande maioria dos sistemas construtivos aprovados do Sistema Nacional de Avaliações Técnicas (Sinat) – que avalia sistemas inovadores – é lastreada no concreto.

    Química e Derivados, A tecnologia BubbleDeck® foi aplicada no prédio do Rabobank, na Holanda

    A tecnologia BubbleDeck® foi aplicada no prédio do Rabobank, na Holanda

    A industrialização da construção civil evita perdas no canteiro de obras e a utilização de sistemas construtivos mais leves exige menos matérias-primas para estruturar as edificações. De acordo com o relatório “Aspectos da Construção Sustentável no Brasil e Promoção de Políticas Públicas” do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS), Ministério do Meio Ambiente (MMA) e Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA, em inglês, United Nations Environment Programme – UNEP), de 2014, a indústria de materiais de construção responde por aproximadamente 50% dos recursos naturais extraídos no planeta. Portanto, urge reduzir seu consumo.

    A diminuição do peso tem ainda um grande impacto nas operações logísticas. Produtos mais leves significam caminhões mais leves, na realidade da matriz de transportes brasileira, com redução do número de viagens, desgaste dos veículos, consumo de combustível e, logo, as emissões de poluentes. Por que, então, o concreto – pesado até na sonoridade de suas sílabas – ainda é a base dos sistemas construtivos brasileiros?

    Para a gerente comercial de construção civil da Braskem, Mônica Evangelista, a resposta é simples: o mercado da construção civil é um dos mais conservadores do país. “Ainda existe muita insegurança, porque as pessoas não conhecem as inovações que a química promove na construção civil”, lamenta. Um dos exemplos de soluções inovadoras que Mônica destaca é o BubbleDeck®, tecnologia usada para lajes, patenteada na Dinamarca e trazida para o Brasil em 2013. A ideia é substituir o “recheio” de uma laje maciça de concreto por esferas ocas de polipropileno (plástico) – produto da indústria química –, distribuídas uniformemente entre grelhas de aço. Trata-se de substituir o concreto, na zona em que ele não desempenha função estrutural, por bolas de plástico cheias de ar. De acordo com a gerente da Braskem, com essa tecnologia, reduz-se até 35% do peso da laje. Para dar uma ideia do que isso significa, de acordo com a fabricante, “uma laje BubbleDeck® de 280 mm de espessura reduz o consumo de 0,09 m³ de concreto por metro quadrado de laje, que corresponde a aproximadamente 216 kg do material. Dessa forma, ao utilizar a tecnologia, pode-se deixar de emitir até 23,5 kg de CO² equivalente por m² de laje”.

    Além do peso – que, vale lembrar, determina também a quantidade de pilares necessários para sustentação, ampliando o espaço útil em estacionamentos, por exemplo – o BubbleDeck®, ou “laje com formação de vazios”, apresenta ainda desempenho acima dos padrões exigidos pela norma brasileira de isolamento acústico e térmico (ABNT NBR 15575:2013).

    Apesar das vantagens, a tecnologia ainda é pouco difundida no Brasil. Há, hoje, três obras representativas com lajes construídas assim, todas na capital do país: o Centro Administrativo de Brasília, o Edifício Garagem Galeão e um hospital. Na opinião de Mônica, para viabilizar uma obra com essa inovação é preciso avaliar não apenas o custo do metro quadrado construído, mas considerar também a redução de mão de obra, o aumento da produtividade e a diminuição do tempo de construção.


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