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15 de agosto de 2014

Abiquim 50 anos: Indústria química nacional – a evolução dos processos e produtos sustentáveis

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Publicado por: Quimica e Derivados
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    Química e Derivados, Abiquim 50 anos: Indústria química nacional - a evolução dos processos e produtos sustentáveisAcompanhando a conscientização social e ambiental do setor produtivo em todo o mundo, a indústria química brasileira tem efetivado compromissos com a sustentabilidade e apresentado resultados nas questões de saúde, segurança e meio ambiente. entretanto, o mundo contemporâneo traz à tona os novos desafios da gestão sustentável em um contexto de perda da competitividade nacional.

    Adriana Nakamura

    Desde a década de 1970, já se discutia as questões ambientais e as formas de desenvolvimento sustentável. Esse conceito, relativamente novo à época, foi debatido na Conferência de Estocolmo, Suécia, realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1972. O evento construiu as bases para que, em 1992, fosse realizada, também pela ONU, a Eco-92, que levantou, já nessa época, preocupações com o aquecimento global, o que posteriormente levou à redação do Protocolo de Kyoto, em 1997, oficializando o compromisso das nações signatárias de reduzir suas emissões de gases de efeito estufa (GEE). Atualmente, 191 países e a União Europeia assinaram e ratificaram o documento, entre eles, o Brasil.

    Nesse contexto de conscientização sobre a necessidade de mudanças em prol do planeta, o programa canadense de gestão de saúde, segurança e meio ambiente (SSMA) em indústrias químicas, Responsible Care®, criado em 1964, foi adaptado às normas brasileiras em 1992, ganhando o nome de Programa Atuação Responsável® (AR), sob a gestão da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). O objetivo era firmar um pacto do setor químico nacional pelos cuidados com os trabalhadores, com a comunidade do entorno das fábricas e com o meio ambiente.

    Desde 2001, a Abiquim compila e divulga anualmente os indicadores de desempenho do Atuação Responsável®. De acordo com a associação, observou-se que, com a implementação do AR, diversas empresas químicas vêm apresentando desempenho superior ao estabelecido pelas legislações ambientais. O relatório mais recente mostra que entre 2006 e 2012, a reciclagem de resíduos sólidos aumentou de 11,7% para 39%. O consumo de água em processos e produtos passou de 4,42 m3 por tonelada de produto para 3,08 m3 por tonelada de produto no mesmo período. Já as emissões de dióxido de carbono pelas indústrias químicas brasileiras caíram, em 2012, para menos da metade dos níveis registrados em 2006, indo de 542 quilos de CO2 equivalente por tonelada de produto para 270 quilos de CO2 equivalente por tonelada de produto. Na opinião do assessor-técnico de Assuntos Regulatórios e Meio Ambiente da Abiquim, Obdulio Diego Fanti, “os indicadores de sustentabilidade são importantes para a implantação de estratégias de melhoria contínua do desempenho ambiental das indústrias químicas”.

    A contribuição do AR para o bom desempenho em relação à redução dos acidentes também indica redução na taxa de frequência de acidentes com afastamento, de 2,98 em 2006 para 1,85 em 2012.  Além disso, ainda segundo o relatório, o desempenho das indústrias brasileiras se destaca sobre a média mundial, que aponta um decréscimo menos significativo. Dados de 2010 apontam o valor de 3,56 contra 1,83 para a indústria nacional.

    De acordo com o gerente de Segurança e Meio Ambiente da Rhodia, Vlamir Kanashiro, a empresa verificou que, ao implementar as práticas do Programa Atuação Responsável®, conseguiu melhorar significativamente sua performance em SSMA, reduzindo a ocorrência dos acidentes do trabalho, de processo, ambientais e de transporte. Além disso, Kanashiro declarou que, com o AR, a Rhodia também melhorou a manutenção da saúde ocupacional, reduziu as emissões atmosféricas, a geração de resíduos e os consumos de matéria-prima, água e energia.

     

    Química e Derivados, Abiquim 50 anos: Indústria química nacional - a evolução dos processos e produtos sustentáveisSegurança na indústria química: décadas de avanço

    Atualmente, o Programa Atuação Responsável® é uma das iniciativas que demonstram como a indústria química cuida das questões de segurança e saúde do trabalhador, sustentabilidade e responsabilidade junto às partes interessadas. Entretanto a estrutura que conhecida hoje é fruto de uma evolução.

    Principalmente após a Segunda Guerra Mundial, a indústria começou um processo de desenvolvimento em diversos países do mundo, também com a consolidação dos principais grupos empresariais do setor químico. Nesse contexto, a partir da década de 1960, evoluíram os debates sobre a segurança das instalações e do transporte de produtos perigosos, além da poluição industrial. Com o passar do tempo, as discussões se ampliaram e passaram a incluir temas ligados às propriedades e características dos produtos químicos, com foco na segurança e saúde dos usuários e nos impactos ao meio ambiente. No entanto, a indústria química, assim como a grande maioria das instituições, procurava manter os assuntos relativos ao meio ambiente e à segurança restritos às empresas.


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