Química

24 de dezembro de 2014

Abiquim 50 anos: Entidade ganhou força nas crises

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Publicado por: Quimica e Derivados
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    A criação da Alalc – Associação Latino-americana de Livre Comércio, em 1960, sacudiu o setor químico brasileiro, que respondia por cerca de 12% do total da indústria nacional de transformação. Novas oportunidades de mercado saltaram aos olhos. Como a maioria das empresas químicas estava localizada em território paulista, elas eram representadas pelo Sindicato das Indústrias de Produtos Químicos para Fins Industriais e da Petroquímica do Estado de São de Paulo (Sinproquim).

    Mas, surgiu um problema. Nas negociações setoriais da Alalc que tratavam de concessões tarifárias de produtos químicos, o setor carecia de uma entidade de caráter nacional. Júlio Sauerbronn de Toledo, superintendente da Rhodia, e alguns executivos outros perceberam o sinal dos tempos. E, assim, a Rhodia, a Quimbrasil (representada por Péricles Nestor Locchi), a Girardi (Vincenzo Galileo Luigi Girardi), a Alba (Jayme Gurman), a Union Carbide (Paulo Figueiredo) e a Squibb (Miguel Fryszman) resolveram fundar, em 16 de junho de 1964, a Associação Brasileira da Indústria Química e Produtos Derivados – Abiquim.

    Quatro meses depois, em 12 de outubro de 1964, os membros da nova associação se reuniram e elegeram a diretoria e o conselho fiscal para o primeiro biênio. A posse aconteceu um mês mais tarde, no salão nobre da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp). Primeiro presidente, Júlio Sauerbronn de Toledo destacou, em seu discurso, que o quadro associativo já reunia empresas de Pernambuco, Minas Gerais, Guanabara, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo, representando o equivalente a mais de 80% da produção química do país. Em 1964, o Brasil tinha 79 milhões de habitantes e o PIB era de, aproximadamente, US$ 121 bilhões nominais (valor atualizado para dezembro de 2013).

    Naquele período, as empresas associadas discutiram projetos para dinamizar os serviços da Abiquim e aprovaram a constituição de grupos de trabalho para executar tarefas em âmbitos específicos, como a Alalc, a Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil (Cacex), o Grupo Executivo da Indústria Química (Geiquim), o Conselho de exportação, legislação, política salarial, comércio exterior e departamentos da Fiesp. Dois anos depois de fundada, a Abiquim contava com 134 empresas associadas.

    Nos anos 1960, o crescimento da demanda exigia um rápido desenvolvimento. As exigências tecnológicas e financeiras ultrapassavam, entretanto, a capacidade das empresas nacionais, e as grandes companhias estrangeiras não demonstravam muito interesse em investir no país. O cenário era incerto.

    Para dar sinal verde ao mercado, o decreto 56.571 fixou, em 1965, as bases da implantação da indústria petroquímica no Brasil, definindo o seu caráter privado em contraponto ao monopólio estatal da indústria do refino, controlado pela Petrobras. Mesmo assim, dois obstáculos ameaçavam o arranque do setor. Por um lado, o monopólio da Petrobras não estimulava o aumento da capacidade privada de processamento da Refinaria União, no complexo de Capuava. Por outro lado, a Petrobras estava proibida de se associar a empresas privadas. Para desatar o nó, o governo militar criou, através de um novo decreto, o 61.981, em 28 de dezembro de 1967, a Petroquisa, uma subsidiária da estatal habilitada a participar de sociedades de forma minoritária.

    Com isso, a nascente Petroquímica União contou com participações iguais da Petroquisa, da Refinaria União e do grupo Moreira Salles. Participaram ainda o grupo Ultra e a IFC (International Finance Corporation), formando o maior empreendimento petroquímico da América Latina. A primeira central petroquímica do país entrou em operação em Mauá-SP, em 1972. Nos anos seguintes, instalaram-se na região a Poliolefinas, a Brasivil, a Cia. Paulista de Monômeros (Copamo), a Cia. Brasileira de Tetrâmero (grupo Unipar), a Oxiteno e a Polibrasil.

    O novo tipo de associação, denominado modelo tripartite, reunindo participações do Estado, da iniciativa privada nacional e estrangeira, com a garantia da Petrobras de fornecimento da nafta, facilitou a entrada de recursos estrangeiros no país mediante o aporte de tecnologia, dando forte impulso à petroquímica brasileira que, em poucos anos, formou um conjunto industrial expressivo. O modelo tripartite colaborou também para a expansão do quadro de associadas da Abiquim, o que gerou novas demandas, intensificando os trabalhos da associação.

    Nos tempos do milagre brasileiro, de crescimento acelerado do PIB, a demanda exigia um complexo industrial petroquímico ainda maior. Dentro da política de descentralização industrial, a Petroquisa criou a Copene, em 1972, que seria responsável pelas centrais de matérias-primas e de utilidades do Polo Petroquímico de Camaçari, na Bahia. O novo polo entrou em operação em 1978. Nos efervescentes anos 1970, a Abiquim e o Sinproquim mudaram sua sede para a rua Topázio, 719, no bairro paulistano da Aclimação.

    Primeiro choque – Árabes e israelenses entraram em guerra, uma vez mais, em 1973, e no arrastão veio o choque do petróleo. O preço do barril subiu 300% em apenas cinco meses (de US$ 3 a US$ 12) e a indústria petroquímica sentiu o duro golpe. Em busca de alternativas energéticas, o governo brasileiro lançou, em 1975, o Programa Nacional do Álcool (Proálcool). E em apenas cinco anos a produção nacional de etanol chegou a 4 bilhões de litros/ano.


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