Economia

26 de fevereiro de 2004

Abimaq: Máquinas contornam recessão com com vendas para experts do setor

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Publicado por: Marcio Azevedo
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    A letargia da economia do Brasil em 2003, resultado da política tímida de redução dos juros, e a instabilidade, principalmente no primeiro semestre do ano, esfriaram os negócios. Salvaram-se os que lograram exportar, como os fabricantes de máquinas e acessórios.

    O faturamento nominal deste setor cresceu 2,11%, de R$ 34,16 bilhões, em 2002, para R$ 34,88 bilhões, em 2003, mas o número expressa queda real de 9,6%, se levada em conta a inflação de preços de máquinas e equipamentos medida pelo IPA (índice de preços por atacado) da Fundação Getúlio Vargas. O consumo aparente brasileiro (vendas internas + importações – exportações) encolheu 7,8% em 2003, totalizando R$ 36,89 bilhões, em comparação aos R$ 40,02 bilhões de 2002, e prejudicou o resultado do faturamento.

    Química e Derivados: Abimaq: Delben - resultado em 2003 reflete esforço dede 1999.

    Delben – resultado em 2003 reflete esforço desde 1999.

    Os embarques ao exterior, pelo contrário, experimentaram expressivo avanço, atingindo US$ 4,94 bilhões, 33,5% a mais que os US$ 3,70 bilhões de 2002. O setor de máquinas e equipamentos é o segundo maior exportador entre os produtores de manufaturados – só perde para o automobilístico – e o quarto no cômputo geral. Pelos mesmos motivos, diminuiu o déficit da balança comercial do setor: era de US$ 2,50 bilhões em 2002 e passou a US$ 853 milhões no ano passado, um recuo de 65,7%.

    “O consumo aparente representa o volume total que o País investe em máquinas e equipamentos; é uma medida de investimento. Esse e outros dados da economia mostram que os investimentos no Brasil encolheram no ano passado”, disse o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Carlos Delben Leite. Segundo ele, o País precisaria de uma taxa anual de investimentos da ordem de 25% a 26% do PIB para sustentar crescimentos da economia nacional acima de 5% ao ano e atender à demanda por postos de trabalho.

    Embora sem imagem internacional associada à produção de bens de capital de tecnologia sofisticada, a indústria brasileira exportou máquinas e equipamentos para tradicionais países produtores, encabeçados pelos EUA (US$ 1,46 bilhão). Argentina (US$ 459 milhões), Alemanha (US$ 390 milhões), Reino Unido (US$ 310 milhões) e México (US$ 299 milhões) completaram a lista dos principais compradores dos produtos brasileiros.

    Delben Leite destacou a retomada dos negócios com a Argentina. O país já deteve maior fatia do comércio exterior dos bens de capital brasileiros, em torno de US$ 800 milhões, e após chegar à penúria em 2002, com compras de apenas US$ 156 milhões, demonstra iniciar sua recuperação, visto que em 2003 as exportações brasileiras para o país cresceram 193%. Também houve grande incremento das vendas para a Itália (67,1%) e para a China (89,6%).

    A premissa de que o setor se lançou às exportações em 2003 devido à retração do mercado interno, entretanto, não é verdadeira. No segmento de bens de capital, tanto as negociações quanto a manufatura dos produtos são lentas. Não é possível entrar ou sair desse mercado internacional ao ritmo das idas e vindas da economia nacional, pois as tentativas se mostrariam infrutíferas a curto prazo, e o investimento para deslocar fornecedores já estabelecidos no merca­do é enorme, conforme acentuou Delben Leite.

    “O patamar das exportações alcançado em 2003 é reflexo do esforço empenhado ao longo dos últimos anos. O principal impulso aconteceu em 1999, quando a adoção do câmbio flutuante tornou rentáveis os preços brasileiros no mercado internacional”, justificou.

    O presidente da Abimaq também atribuiu o resultado positivo à qualidade do produto brasileiro, aos preços competitivos e à melhora das condições de financiamento, particularmente devido ao auxílio do programas de financiamento às exportações do Governo Federal (Proex) e do BNDES (Finamex). A própria Abimaq também realiza diversas ações de promoção ao comércio exterior, entre elas a participação em feiras internacionais de negócios, pesquisas de mercado, ro­dadas internacionais de negócios e cursos.

    Entre os segmentos de melhor desempenho nas exportações, em 2003, figuraram os de máquinas rodoviárias (US$ 562 milhões), agrícolas (US$ 327 milhões), bombas e motobombas (US$ 221 milhões) e válvulas industriais (US$ 155 milhões). Já no quesito faturamento nominal destacaram-se as máquinas-ferramenta (crescimento de 45,6%), máquinas agrícolas (42,6%), máquinas e equipamentos para madeira (40%) e equipamentos hidráulicos e pneumáticos (18,5%). No mesmo item, o destaque negativo ficou por conta dos segmentos de mecânica pesada (decréscimo nominal de 34%), máquinas gráficas (9,3%) e máquinas para a indústria de plástico (5,4%).

    Mesmo com o bom resultado de 2003, as exportações de máquinas e equipamentos brasileiros não ameaçam os competidores internacionais. Do trilhão de dólares movimentado no mercado internacional, o Brasil responde por míseros 0,5%. Alemanha, Japão e Estados Unidos, juntos, fabricam quase 71% de todas as máquinas do Planeta, e o Brasil, apenas 1,5%. Na lista dos 18 países que competem no mercado internacional de bens de capital, o País só aparece na décima posição. Mas, de acordo com Delben Leite, a exportação é fundamental para que a indústria brasileira alcance escala de produção mínima que lhe proporcione competitividade. “É objetivo do setor exportar cerca de 50% da produção em quatro ou cinco anos. Hoje este patamar está em torno de 44%”, afirmou.


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