Máquinas e Equipamentos

15 de abril de 2012

Válvulas – Fabricantes nacionais investem para enfrentar importações

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Publicado por: Hamilton Almeida
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    química e derivados, Válvulas, Válvula borboleta de grande porte fabricada pela RTS

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    s fabricantes de válvulas industriais instalados no Brasil padecem dos efeitos do processo de desindustrialização que os pressiona desde 2005. A situação adquire contornos mais dramáticos para a indústria em geral, pois uma onda de desnacionalização está varrendo o setor e “tende a aumentar”, na avaliação de Pedro Lúcio, presidente da Câmara Setorial de Válvulas Industriais (CSVI), da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). O cenário ruim não é suficiente para ocultar, entretanto, um fundo de esperança: há vários projetos de investimentos produtivos em andamento.

    Atualmente, o mercado está “praticamente estagnado” e a expectativa da CSVI é que as recentes políticas de apoio ao setor industrial anunciadas pelo governo federal aliadas ao andamento de projetos de porte, como os da Petrobras, forcem a retomada da economia. “Se 2012 repetir o desempenho do ano passado, será uma vitória”, consola-se Lúcio.

    A invasão de válvulas chinesas é uma das principais razões da chamada desindustrialização. Lúcio calcula que esse produto chegue ao Brasil com um preço médio cerca de 40% mais barato que o similar local, tornando muito difícil a competição. Nem sempre a qualidade do produto importado se equipara à do produto made in Brasil; o preço, porém, faz toda a diferença no momento da compra.

    A concorrência com o produto im­portado “é desleal”, na avaliação de Djalma Bordignon, gerente comercial da KSB Válvulas Ltda. “O ‘custo Brasil’ é um dos maiores do mundo e falta isonomia, principalmente por parte da Petrobras, quanto aos requisitos técnicos normatizados e de inspeção”, adverte. De acordo com Bordignon, os preços das válvulas nacionais “estão mais de 20% acima dos europeus”. Em comparação com os asiáticos, a relação é “absurda, pois os preços praticados sem internação não pagam sequer a nossa matéria-prima”. Ele afirma que os governos dos outros países concedem novos incentivos à exportação a cada medida que o governo brasileiro adota para resguardar a indústria local.

    Luiz Vieira Machado, gerente-geral da divisão de válvulas da Flowserve, declara que os preços no mercado interno estão “em constante declínio, em razão da pressão advinda da questão cambial e da excessiva concorrência, que é uma particularidade desse setor”. Ele defende o ponto de vista de que “a grande questão” ao redor das importações é de caráter cambial: “A excessiva valorização da nossa moeda representa automaticamente um incentivo às importações.”

    Alejandro Hube, diretor da Durcon, também concorda que as importações estejam afetando o ritmo dos negócios locais, mas não foge à luta: “Entendemos que não há nada a fazer a não ser competir, ou seja, melhorar a qualidade e a produtividade, diminuir os custos de matéria-prima (com importações), melhorar o atendimento aos clientes e buscar aumento de escala de produção por meio de vendas no mercado internacional.”

    Hube não deixa, contudo, de enfatizar o lado paradoxal dessa história: “O mercado de válvulas industriais está crescendo no Brasil e demanda volumes cada vez maiores. Para os fabricantes locais, as mudanças no ambiente de negócios que aconteceram nos últimos sete anos criaram uma situação muito difícil.”

    Competição impossível – Na realidade, reconhece Hube, é “impossível” competir com os produtos de origem asiática ou com os fabricantes que, geograficamente, estão sediados no Primeiro Mundo, mas fabricam as válvulas na Ásia. A porta de saída para a Durcon foi fabricar produtos em menor escala e considerados especiais, de alta tecnologia. Esses produtos não são atraentes para os asiáticos, que focam em produtos de grande escala, importantes para gerar os empregos necessários em suas economias em desenvolvimento.

    Em tom mais ameno, Carlo Rego, gerente-geral da Tyco Valves & Controls no Brasil, endossa os comentários: “Acompanhamos de perto o impacto que a concorrência internacional muitas vezes representa, algo que está ocorrendo em praticamente todo o mercado brasileiro. Temos visto também as iniciativas da Abimaq para justamente incentivar a indústria local pela aplicação de uma regulamentação mais rígida da concorrência entre a indústria nacional e a estrangeira.”

    Lúcio aponta a valorização do real e a elevada carga tributária como fatores limitantes para o desenvolvimento da indústria nacional. Estima-se que os tributos representem 40% dos preços dos produtos industrializados. O real se valorizou 49,9% em relação ao dólar no período 2006-2011. A indústria de transformação cresceu apenas 9,2% naquele espaço de tempo.

    Hube acrescenta: “Com a crise mundial, os mercados internacionais de válvulas dos países desenvolvidos se contraíram e esses fabricantes vêm comercializar os seus produtos no Brasil, oferecendo condições de financiamento muito competitivas, garantidas pelos governos dos países exportadores para assegurar postos de trabalho.”


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