Universidades e Ensino

16 de outubro de 2009

41st International Chemistry Olympiad – Delegação brasileira ganha destaque em evento na Inglaterra

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Publicado por: Jose P. Sant Anna
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    Química e Derivados, 41st International Chemistry Olympiad

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    participação brasileira nos jogos olímpicos tem sido bastante tímida ao longo da história. Raros são os atletas brasileiros a subir no pódio. Poucos no país sabem, no entanto, da excelente participação brasileira em uma competição quase nada divulgada por aqui, a Olimpíada Internacional de Química. Na 41ª edição, realizada entre os dias 19 e 27 de julho na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, a delegação nacional fez bonito. Três dos nossos quatro integrantes conquistaram medalhas.

    Levindo José Garcia Quarto trouxe na bagagem uma medalha de prata. Arthur Braga Reis e João Victor Rocha Magalhães Caminha conquistaram bronze. Além dos medalhistas, a equipe brasileira contou com a participação de Thalys Sampaio Rodrigues. Todos têm dezessete anos e participaram pela primeira vez da competição. Ao todo, concorreram 286 estudantes de 72 países, com idades entre 14 e 19 anos. Cada delegação é formada por, no máximo, quatro representantes.

    Um pouco de história ajuda a compreender a presença do Brasil nesta Olimpíada. O torneio foi criado em 1968, na Checoslováquia. Desde então, todos os anos, no mês de julho, ele é disputado em diferentes países. Os participantes passam por uma bateria de provas elaboradas por um júri internacional. Os exames, teóricos e práticos, são submetidos aos estudantes durante um período de dez dias. No próximo ano, a competição será realizada no Japão.

    As delegações nacionais começaram a participar do evento internacional anos mais tarde. Antes foi necessário criar a Olimpíada Brasileira de Química, pela qual são selecionados os estudantes a ser enviados para o certame internacional. Uma primeira ação nesse sentido teve origem em São Paulo, no ano de 1986, por iniciativa do professor Shigueo Watanabe, do Instituto de Física da USP. Por dificuldades financeiras, o torneio nacional foi suspenso em 1989. Cinco anos mais tarde, foi reiniciado, graças ao esforço da Universidade Federal do Ceará, em parceria com a Fundação Cearense de Apoio Científi co (Funcap). De 1994 para cá, vem sendo realizado sem interrupção no Brasil.

    Coordenador geral da competição nacional, Sérgio Maia Melo, professor doutor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e assessor da presidência da Funcap, conta os motivos da iniciativa tomada há quinze anos. “Havia uma pequena procura pelo curso de Química da UFC. Além da baixa qualidade dos ingressantes, a maioria apresentava pouca afinidade pela ciência”, revela. O quadro gerava elevado índice de evasão escolar. “Ao final de quatro anos, dos quarenta alunos que passavam no vestibular, só dois ou três concluíam o curso”, lembra.

    Foi iniciado, então, um trabalho na rede escolar. Com o argumento da participação na competição, professores da UFC passaram a visitar instituições de ensino locais, privadas e públicas, para estimular estudantes. A iniciativa gerou a criação, em 1994, da Olimpíada Norte/Nordeste de Química. No ano seguinte, surgiu a Olimpíada Brasileira de Química.

    O projeto evoluiu e hoje se chama Programa Nacional Olimpíadas de Química. Ele apoia a realização de competições municipais e estaduais em todo o território nacional. Também ajuda a capacitar docentes de química do ensino médio e na realização de cursos de aprofundamento para os estudantes. A primeira edição da Olimpíada Norte/ Nordeste contou com 187 participantes. Na edição mais recente, competiram 164 mil estudantes, número considerado muito positivo em um país onde a ciência é tão pouco estimulada. “Ao longo dos anos, muitos alunos que participaram da Olimpíada se especializaram em Química. Nós já temos vários ex-alunos fazendo mestrado nas melhores faculdades do país, como o ITA e a Unicamp, e outros dando aulas”, orgulha-se Melo.

    A participação do Brasil no torneio internacional se iniciou há dez anos. Ao longo desse período, o país já conquistou 16 medalhas, sendo três de prata e treze de bronze. Ainda não foi conquistada uma de ouro, tarefa nada simples dada a excelência dos alunos oriundos dos países asiáticos. “Quase todas as medalhas de ouro vão para japoneses, chineses, coreanos. Eles se preparam de forma excepcional”, diz Melo.

    Vale ressaltar a excelente participação dos alunos brasileiros na Olimpíada Ibero-Americana, cuja 12ª edição será realizada neste mês de outubro em Cuba. Na edição de 2008, realizada em Portugal, obtivemos o destaque maior. Por equipe, o Brasil ficou em primeiro lugar. Individualmente, os estudantes brasileiros conquistaram o primeiro, segundo, quarto e oitavo lugares. Dos quatro estudantes que compuseram a delegação, três foram agraciados com ouro e um com prata. O país coleciona 48 medalhas na competição.


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