Automação Industrial

26 de abril de 2016

Perspectivas 2016 – Máquinas: Governo acena com ampliação do crédito e devolve um pouco de ânimo aos fabricantes locais

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Publicado por: Jose P. Sant Anna
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    Química e Derivados, Perspectivas 2016 - Máquinas: Governo acena com ampliação do crédito e devolve um pouco de ânimo aos fabricantes locais

     

    Com uma dose de bom senso por parte dos representantes políticos e a ajuda da nova equipe econômica, a fase difícil vivida pela indústria de base pode começar a ser revertida. Há esperança de que o ano de 2016 seja melhor. A expectativa foi declarada por Carlos Pastoriza, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). “Temos um sentimento positivo, sem perder o realismo”, explica.

    Química e Derivados, Pastoriza: além do crédito, setor pede reforma tributária

    Pastoriza: além do crédito, setor pede reforma tributária

    A esperança do dirigente persiste, apesar dos números bem negativos obtidos pelo setor no ano passado. A receita líquida total da indústria de máquinas e equipamentos nacionais ficou na casa dos R$ 84 bilhões, com queda de 14,4% em relação a 2014, de acordo com dados da Abimaq. Fazendo o cálculo desse número, levando-se em conta a valorização do dólar, a queda salta para 22,8%. “Nos últimos três anos encolhemos 30%”, lamenta.

    Para que tudo melhore, Pastoriza acha fundamental a evolução favorável do quadro político no primeiro trimestre. Para ele, a crise entre os poderes executivo e legislativo intoxica o ambiente, torna os empresários inseguros em relação aos investimentos. “Os empresários não podem fazer muita coisa nesse sentido, é preciso que os políticos pensem mais no país e não em seus problemas partidários”.

    No campo da economia, acredita no diálogo. “Estamos conversando com o governo e acredito que conseguiremos chegar a alguns acordos positivos”. Algumas medidas de incentivo ao crédito já foram aprovadas em reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), realizada no final de janeiro, em Brasília, da qual o dirigente participou. “Acredito que teremos um pouco de fôlego e a economia poderá ser destravada. O aumento do crédito é fundamental para que consigamos iniciar a retomada do Brasil”, ressalta.

    Outra medida definida na mesma reunião foi o anúncio de que haverá o refinanciamento das dívidas contraídas junto ao BNDES. “Além de dar fôlego neste momento tão agudo da crise, isso contribuirá para que as empresas estejam preparadas e equipadas para o momento em que houver a recuperação da economia brasileira”. Ele avalia positivo o pacote anunciado como medida emergencial. “Mas o governo não pode perder de vista a necessidade de iniciar, o quanto antes, as reformas estruturais que tanto o país necessita”.

    Entre essas reformas, defende a reestruturação do PIS/Cofins e do ICMS. “O ICMS deveria ser simplificado e ter taxa única em todos os estados da federação”, recomenda. Acredita ser imprescindível a persistência na luta pela redução do déficit fiscal. Ele quer, no entanto, que o governo trabalhe sobre o corte de suas verbas de custeio. Defende a criação de alguns programas de incentivo para estimular a indústria, que vem sendo prejudicada nos últimos anos.

    A desvalorização do real ocorrida no ano passado tem aspectos positivos. O dólar alto deve colaborar com a competitividade da indústria de base no mercado interno. O incremento às exportações resultante da desvalorização do real é outro fator visto com esperança. Chegar ao mercado externo, no entanto, não será tão fácil. Um dos problemas se encontra no pequeno crescimento previsto para a economia mundial, que torna o mercado externo para lá de acirrado. “A crise internacional é uma realidade”, confirma. Outro é a falta de financiamento oferecida pelo governo brasileiro aos compradores internacionais. “Ninguém compra máquinas se não houver financiamento, precisamos de alguma medida nesse sentido”.

    Alguns outros resultados indicam as dificuldades vividas pelo setor no ano passado. O consumo aparente de máquinas no Brasil movimentou R$ 130 bilhões em 2015, com queda de 11,7% em relação a 2014. Considerando-se o efeito cambial, essa queda corresponde a 24,1%. A indústria de base terminou o ano utilizando 65,8% de sua capacidade instalada. Em 2014, esse índice ficou na casa dos 68%. O número de empregos no setor sofreu bastante. Ele caiu de 353 mil, no final de 2014, para 308 mil.

    A balança comercial apresentou saldo negativo de US$ 10,78 bilhões. As importações no ano alcançaram US$ 18,81 bilhões, 23,3% a menos do que em 2014. “Essa queda se deve muito mais à recessão do mercado interno do que à desvalorização da moeda nacional”. As exportações movimentaram US$ 8,03 bilhões, com decréscimo de 16,2%. Nesse aspecto, vale ressaltar que o dólar se tornou competitivo para as indústrias nacionais a partir do último trimestre. Foi o período em que começou uma recuperação das vendas externas. Em dezembro, elas cresceram 14,1% em relação ao mês anterior e 8% quando comparadas com os resultados de dezembro de 2014.


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