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1 de dezembro de 2015

Petroquímica: Braskem pede novo índice para nafta

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Atual prioridade número um da Braskem, a celebração do novo contrato de longo prazo com a Petrobras para suprimento de nafta petroquímica para seus crackers nacionais segue em marcha lenta. Vencerá em 30 de agosto o aditivo ao último contrato entre ambas, que vigorou entre 2009 e março de 2014. Pelo andar da carruagem, um novo aditivo de 90 dias deve ser apresentado, esticando as tratativas até novembro.

    Além da complexidade inerente a uma negociação desse porte há condições agravantes, a começar pela crise política e econômica nacional, passando pelas investigações da Operação Lava-Jato que levantaram suspeitas contra o contrato anterior. A negociação atual está sendo conduzida por uma força-tarefa composta por membros dos Ministérios do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio Exterior (Mdic) e da Fazenda, de secretários dos estados nos quais há atividade petroquímica, de indústrias do setor e da Petrobras, todos estudando os impactos dos parâmetros em disputa sobre a atividade econômica, geração de empregos e exportações da cadeia produtiva. Isso evidencia o grau de envolvimento político com a questão.

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    “Nós propusemos uma fórmula flexível de composição de preço da nafta, porém balizada pelas cotações internacionais mais relevantes para o nosso mercado”, afirmou Carlos Fadigas, presidente da Braskem. Historicamente, a referência adotada para a negociação de cargas líquidas é o índice formado pelas cotações spot (livres de contrato) ARA – acrônimo formado pelas iniciais de Antuérpia, Roterdã e Amsterdã, ligadas ao mercado petroquímico europeu. Porém, a indústria petroquímica europeia vem perdendo relevância desde os primeiros grandes projetos do ramo erguidos no Oriente Médio, há cerca de 20 anos, situação agravada pelo surto de investimentos em crackers de etano derivado do shale gas, nos Estados Unidos. “O índice ARA não é o mais adequado para nortear o preço do insumo fundamental da petroquímica brasileira, entendemos que o ideal seria usar como parâmetro a média entre o ARA e a cotação das matérias-primas do setor em Mont Belvieu, no Texas, este mais próximo da nossa realidade de mercado”, salientou Fadigas.

    A fórmula proposta pela Braskem prevê pagar pela nafta um valor equivalente ao índice ARA (ou à média citada acima) multiplicado por um fator situado entre 90% e 110%. Quanto mais baixa for a cotação da nafta, maior o multiplicador, e vice-versa. Isso permitiria à Petrobras garantir uma remuneração atrativa mesmo em períodos de baixa do petróleo, mas também evitaria que a Braskem fosse ainda mais prejudicada quando as cotações se elevarem, oscilações possíveis (e prováveis) durante o prazo de dez anos esperado pela empresa privada para a duração do novo contrato, outro ponto em discussão.

    Fadigas comentou que o prazo de dez anos já fora solicitado em 2009, na formação do contrato anterior de suprimento, mas a estatal o rejeitara, preferindo renová-lo em cinco anos. “Em 2009, o mercado estava tão fraco que a nafta despencou da faixa de US$ 1.000/t para US$ 280/t, mas o Oriente Médio estava entrando com 9 milhões de t/ano de capacidade produtiva alimentada por gás natural barato; nessa circunstância a Quattor quebrou, a LyondellBasell apelou ao Chapter 11 [equivalente americano à recuperação judicial brasileira], e nós conseguimos comprar o negócio de polipropileno da Sunoco por um valor muito atrativo”, recordou-se.

    Nesse ambiente deprimido, a Petrobras exportava 250 mil m³/ano de gasolina com preço baixo e o etanol alimentava 60% do consumo dos automóveis no Brasil. Na época, a fórmula estabelecida para a nafta considerou que a estatal, no caso de exportar o insumo, receberia a cotação ARA descontada dos respectivos custos logísticos, avaliados em 8,8% desse valor, em média, ou seja, 91,2% do preço ARA. Ao mesmo tempo, quando fosse necessário importar a nafta para vender à Braskem, a estatal seria remunerada pelo ARA acrescido de 5% de custos, chegando a 105% da cotação spot europeia. Ressalte-se que, segundo Fadigas, grande parte das importações brasileiras de nafta tem origem na Argentina e na Venezuela, com cotações e custos logísticos mais baixos que a referência europeia.

    Com alguma negociação, isso deu origem à fórmula 92,5% a 105% de ARA que valeu até março de 2014. “A Petrobras jamais teve prejuízo algum com as operações de compra e venda de nafta por conta desse contrato”, enfatizou Fadigas. “Não temos culpa se, a partir de 2010, o governo federal obrigou a estatal a segurar o preço da gasolina, acelerando a demanda, fato que obrigou a misturar mais nafta local na gasolina e a importar mais nafta para cumprir o contrato; e não se esqueça de que isso impactou negativamente a produção de etanol”, criticou. A Braskem importa diretamente cerca de um terço das 10 milhões de toneladas de nafta que consume anualmente. Os outros dois terços são supridos pela Petrobras, cuja capacidade de produção de nafta chega a 11 milhões de t/ano, segundo Fadigas. Ou seja, seria possível suprir toda a demanda dos crackers locais sem importar uma gota sequer de nafta.


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