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30 de novembro de 2015

Em meio à crise hídrica, indústria química lança guia para elaboração de plano de contingência

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Publicado por: Quimica e Derivados
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    Química e Derivados, Em meio à crise hídrica, indústria química lança guia para elaboração de plano de contingência
    Embora venha aumentando a eficiência do uso dos recursos hídricos há anos, crise de abastecimento de água de gravidade inédita levanta preocupação da indústria química, que busca se preparar por meio do planejamento de ações de contingência de acordo com análise dos níveis de disponibilidade de água.

    Produtos químicos para tratamento da água e medidas para o aumento da eficiência na gestão dos recursos hídricos pela indústria química ganham destaque no contexto de escassez e má qualidade do recurso.

    Texto: Adriana Nakamura

    O Brasil passa por uma seca nunca antes registrada. É o que afirma o diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu Guillo. Devido ao fenômeno climático El Niño, a tendência para os próximos meses é de manutenção da seca no Nordeste e de chuvas acima da média nas regiões Norte e Sul. Por sua vez, na região Sudeste, o clima pode tanto ser afetado pelo avanço das chuvas do Norte e Sul, quanto pela seca do Nordeste, o que torna as previsões indefinidas.

    Esse cenário de risco e incerteza chamou a atenção não apenas da população e das autoridades responsáveis pela gestão da água, mas também da indústria para uma questão que nunca havia sido motivo de tanta preocupação: será que estamos preparados para a seca?

    Embora a indústria química já tenha um histórico de evolução na eficiência do uso dos recursos hídricos em seus processos e produtos, a resposta para essa pergunta está na ponta da língua de Luiz Oliveira, coordenador do Grupo de Trabalho Técnico sobre a Água (GT Água), formado na Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), no âmbito da Comissão de Meio Ambiente e Sustentabilidade. “Hoje, em um cenário de escassez hídrica, nenhuma empresa está preparada”, afirmou. A preocupante conclusão impulsionou o desenvolvimento do Guia para Elaboração de Plano de Contingência para a Crise Hídrica.

    Na indústria química, a água é utilizada como líquido de transferência em sistemas de troca térmica, além de fazer parte da composição de uma vasta gama de produtos. De acordo com Oliveira, que também é gerente de Saúde, Segurança e Meio Ambiente da Dow e responsável pela coordenação do projeto do guia, o objetivo foi satisfazer a necessidade da indústria química de avaliar antecipadamente o cenário de escassez hídrica para poder se preparar para diferentes níveis de contingência.

    O material serve de base para o desenvolvimento de um plano com ações mitigatórias em casos de restrição hídrica para a indústria química e pode ser incorporado ao sistema de gestão das empresas. O guia foi estruturado em ações sugeridas para quatro níveis de contingência – verde, amarelo, laranja e vermelho – que devem ser definidos por cada unidade produtiva, ou seja, com base no perfil hidrológico atual da bacia hidrográfica onde a planta esteja instalada. A partir dessa análise, é possível diagnosticar o nível de escassez de água e planejar as ações antecipadamente. As medidas de mitigação recomendadas para cada nível possibilitam às empresas avaliar as ações propostas e moldá-las conforme a sua realidade. No nível verde, a empresa está no uso pleno dos recursos hídricos e, no nível mais crítico (vermelho), o volume de água das fontes hídricas é insuficiente para atender a fábrica.

    Essa divisão em vários níveis de alerta é o que falta ao gerenciamento das bacias hidrográficas, na opinião de Vicente Andreu Guillo, diretor presidente da ANA. “Com a regulação atual, não se tomam medidas até que a crise chegue. Devem existir faixas intermediárias para proteção social”, afirma. De fato, o modelo de níveis de contingência foi desenvolvido pelo GT da Abiquim com o objetivo também de inspirar ações que sigam essa metodologia, seja na gestão pública da água, seja em outros segmentos industriais. “O guia foi desenvolvido pela e para a indústria química, mas a sistemática e a metodologia utilizadas faz com que ele possa ser adaptado para outros segmentos”, acrescenta Luiz Oliveira, coordenador do projeto.

    O Guia para Elaboração de Plano de Contingência para a Crise Hídrica está disponível gratuitamente para download em abiquim.org.br

    Cólera, diarreia, doenças gastrointestinais, hepatite A, verminoses, dermatites e esquistossomose, são doenças típicas de locais que não têm saneamento ou água tratada. “Uma das formas mais importantes dos governantes reduzirem os gastos com saúde é investindo em saneamento.” – Édison Carlos, presidente-executivo do Instituto Trata Brasil


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