Calor Industrial

24 de novembro de 2015

Calor: Eastman volta a produzir fluido térmico no país

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    O fluido sintético de troca térmica Therminol T-55 voltou a ser produzido no Brasil em 2015, depois de quase um ano de trabalhos para adaptação da linha de produção, instalada em Mauá-SP, na área da antiga Scandiflex. O T-55 era produzido pela proprietária anterior da marca, a Solutia (por sua vez, um spin off da Monsanto), em São José dos Campos-SP, mas a operação foi descontinuada quando a Eastman adquiriu essa companhia em 2012, preferindo não usar mais aquele sítio. Desde então, o mercado brasileiro era suprido mediante importações originadas nos Estados Unidos.

    A Eastman já havia comprado a Scandiflex do Brasil, especializada na fabricação de plastificantes e adesivos, e ampliou o escopo da produção do site de Mauá, destinando-o também para suprir as áreas de negócios de fluidos especiais e intermediários. Há cerca de um ano, a companhia decidiu retomar a produção local do T-55, começando pela instalação de um laboratório de análises de qualidade, visando promover a qualificação do produto nacional e seus insumos.

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    A Eastman oferece 12 tipos diferentes da linha Therminol para a América Latina, cobrindo aplicações na faixa de -115ºC a 400ºC. “O T-55 é o mais versátil, indicado para sistemas não pressurizados com temperaturas médias, até 290ºC, sendo indicado para operações nos setores de asfalto, automotivo, químico, petroquímico, transformação de plásticos, têxtil e petróleo e gás, ou seja, os maiores usuários desse tipo de fluido”, explicou Nicola Tripaldi, especialista em fluidos especiais da Eastman no Brasil. “É um fluido abrangente e versátil.”

    O T-55 é composto por uma mistura de alquilbenzenos, com cadeias de 14 a 30 carbonos, elaborado com intermediários importados. A unidade de Mauá funciona por bateladas de grande volume. Operando dentro dos limites recomendados, o fluido possui vida útil longa, que é acompanhada pelo laboratório do fabricante como serviço de pós-venda. “Analisamos o comportamento e a performance do fluidos usados pelos clientes até para recomendarmos o fluido ideal para cada caso, alcançando a melhor relação custo/benefício”, comentou Tripaldi.

    No caso do T-55, o maior concorrente é o vapor de água. “São tecnologias diferentes, mas é preciso considerar que o óleo térmico tem algumas vantagens, a começar pelo fato de a água exigir tratamento e condicionamento prévios, operações que têm custo elevado”, defendeu. Em tempos de crise hídrica, o uso de fluidos térmicos em recirculação é uma alternativa interessante para alguns segmentos industriais.

    A decisão de retomar a fabricação local foi tomada com base no fato de o T-55 ser consumido em grandes volumes e uma fábrica no país reduz custos logísticos, além de oferecer respostas mais rápidas ao mercado. Saliente-se que a unidade de Mauá também supre a demanda dos demais países do Mercosul, com vantagens tributárias sobre produtos trazidos de fora da região.

    Mercado em recuperação – O mercado local do T-55 é considerado estável pela Eastman. “Os volumes comercializados variam muito pouco, pois temos um volume grande de completação de tanques, ou top up”, comentou Tripaldi. Porém, as vendas em alto volume, para enchimento inicial de equipamentos térmicos novos ou para renovação das linhas existentes, andam devagar. “Percebemos que o mercado está adiando a troca dos fluidos e o ritmo dos investimentos em novas instalações está fraco”, informou. Para ele, 2015 apresenta alguma recuperação de vendas, que tiveram queda pronunciada em 2013 e 2014. As vendas de menor volume são realizadas pela distribuidora IMCD, com exclusividade no país.

    Além do T-55, a Eastman oferece os demais fluidos de troca térmica de sua linha muito abrangente, que inclui itens específicos, como o T-XP, aprovado para uso na indústria de alimentos, mediante importação. Em caso de necessidade específica de algum cliente, a companhia estuda o caso, desenvolve o fluido mais adequado e, depois, oferece essa alternativa ao mercado.

    A alternativa de regeneração de fluidos térmicos é desaconselhada por Tripaldi. “Na maioria dos casos, apenas se promove a eliminação de sólidos por filtração, atividade que o cliente pode fazer em casa, com a devida orientação da nossa parte”, comentou. Em alguns casos, é realizada uma destilação fracionada do fluido usado. “Isso não garante qualidade idêntica à do fluido original, que é sempre a mais adequada para o sistema térmico do cliente”, criticou. Tripaldi também apontou que esses processos não geram fluidos com a estabilidade necessária e podem provocar contaminações cruzadas pela mistura de fluidos de diferentes clientes na coluna de destilação. (M.F.)



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