Química

7 de novembro de 2008

Contêiners conquistam setor químico

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    O uso de contêineres cresce no transporte químico pela flexibilidade de adaptação aos modais, pela redução de custos na sua movimentação e no melhor aproveitamento dos veículos, dispensados de aguardar as lentas etapas de carga e descarga. Esse equipamento apresenta muitas configurações e variações para proporcionar o melhor desempenho operacional em cada caso.

    “É preciso conhecer as características do produto, o meio de transporte e o trajeto a ser percorrido para escolher a melhor alternativa”, explicou Wilson Nisti, gerente técnico e de operações para a América do Sul da Seacastle Container Leasing, especializada em equipamentos refrigerados usados por alimentos e produtos químicos sensíveis. Com mais de 25 anos de experiência, ele trabalhou também com contêineres para carga seca (dry) e contêineres-tanque para líquidos, tendo participado da introdução dessa tecnologia de transporte no Brasil.

    Química e Derivados, Wilson Nisti, gerente técnico, Contêiners conquistam setor químico

    Wilson Nisti: granel líquido ocupa melhor o espaço disponível

    Há duas formas de locação de contêineres: a longo prazo (para múltiplas operações) ou para uso esporádico. Neste caso, Nisti recomenda aos interessados recorrer aos operadores logísticos que tenham disponibilidade de equipamentos, eliminando a despesa de retorno. Em geral, os operadores mundiais têm acordo para intercambiar contêineres, ou conseguem programar melhor as suas idas e vindas. “Mesmo assim, como os fluxos de comércio nem sempre são simétricos, às vezes é preciso transportar equipamentos vazios de um continente para outro”, comentou.

    Ele informou que mesmo os tipos mais simples para carga seca são construídos em conformidade com normas internacionais, especificando o tipo especial de aço, dimensões, tipos de travas e içamentos, entre outros. Além disso, alguns países impõem exigências próprias. “As ferrovias norte-americanas usam uma norma diferente da IMO e ISO habituais do setor marítimo”, comentou.

    Houve tentativas de fabricar contêineres no Brasil, porém a dificuldade de obter os aços especiais, as licenças e a homologação internacional acabaram minando os projetos. Atualmente, a China e a Índia dominam a produção mundial, oferecendo custos imbatíveis. Segundo Nisti, quando havia uma sobra de contêineres no mercado mundial, os armadores impunham restrições adicionais, limitando a idade do equipamento a menos de cinco anos, por exemplo. “Nos últimos anos houve falta de contêineres e eles deixaram de lado essas exigências”, disse.

    Os contêineres-tanque têm normas construtivas ainda mais rígidas, incluindo testes de resistência radicais para evitar a ocorrência de vazamentos mesmo no caso de queda. As válvulas, vedações, acoplamentos e dispositivos de segu- Contêineres conquistam setor químico rança também recebem cuidados extremos, sendo fabricados apenas por empresas especializadas.

    Nisti comentou que o locador precisa ajudar o cliente na escolha do equipamento mais adequado, além de acompanhar seu enchimento e oferecer suporte técnico durante as operações. “Há produtos químicos que se expandem com a temperatura, fato a observar durante o carregamento, principalmente se o destino for um país tropical”, informou. Produtos perigosos viajam no deck dos navios, sob sol, chuva e maresia. No caso de incêndio a bordo, esses contêineres são imediatamente lançados ao mar, por precaução.

    Entre os produtos mais sensíveis, ele cita o tetracloreto de titânio e o trietil alumínio, com os quais lidou em sua vida profissional. Há também alguns químicos que exigem contêineres feitos especialmente para eles, como a nitrocelulose e o ácido clorídrico. Os tanques geralmente são revestidos com espuma, recoberta por um casco externo de proteção.

    Depois do transporte, os tanques precisam ser lavados e descontaminados para receber nova carga. Antes disso, devem ser inspecionados e submetidos a intervenções de manutenção, feita por pessoal qualificado, se necessário. “Há instalações adequadas para fazer tudo isso no Brasil, com tratamento adequado dos efluentes, sendo monitoradas pelos órgãos de fiscalização ambiental”, comentou. Ele apontou prestadores especializados de serviços nas regiões portuárias de Santos-SP, Rio de Janeiro-RJ e Macaé-RJ. O país conta com equipes qualificadas também para atuar em situações de emergência.

    O especialista salientou que alguns produtos químicos cristalizam dentro dos tanques, aderindo firmemente às paredes internas. Nesse caso, a limpeza é mais difícil e custa mais caro. “Em nenhuma hipótese produtos alimentícios podem ser carregados em equipamentos usados para outros fins”, ressaltou.

    Embora seja muito solicitado, o uso dos tanques ainda tem muito espaço para crescer. Nisti estima que apenas 1,5% do transporte químico mundial seja feito por meio de contêineres-tanque, uma evolução considerável em relação há dez anos, quando representava apenas 1,1%. “O mercado químico mundial cresceu muito no período”, justificou. Como explicou, o transporte de granéis líquidos é mais econômico que o de sólidos, porque ocupa melhor o espaço disponível e as operações de carga e descarga são muito mais fáceis, bastando acoplar a mangueira. “Fizemos o transporte de açúcar na forma líquida para uma indústria de refrigerantes com excelente resultado, além de proporcionar melhor controle da dosagem no processo”, mencionou.



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